UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2018
Paciente feminina, 40 anos de idade, previamente hígida, procura atendimento médico por queixa de odinofagia, rouquidão e febre baixa há 2 dias. Ao exame físico, além da confirmação clínica de faringite aguda, provavelmente viral, houve constatação de um nódulo cervical indolor na topografia do lobo direito da tireoide, fibroelástico, móvel à deglutição. Restante da tireoide de tamanho e topografia normal, bordas lisas. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, o primeiro exame a ser solicitado para a avaliação do nódulo. A) Análise da função tireoideana. B) Cintilografia de captação com iodo radioativo em baixas doses. C) Dosagem de tireoglobulina. D) Tomografia cervical, pois há rouquidão associada. E) Ultrassonografia de tireoide com Doppler.
Nódulo tireoidiano palpado → 1º passo: Dosagem de TSH para avaliar funcionalidade hormonal.
A investigação inicial de um nódulo de tireoide prioriza a avaliação funcional. O TSH determina se o nódulo é hiperfuncionante, o que altera drasticamente a necessidade de biópsia.
O manejo de nódulos tireoidianos segue diretrizes internacionais (ATA) e nacionais (SBEM). O rastreio funcional com TSH é mandatório, pois nódulos tóxicos devem ser manejados de forma clínica ou com radioiodo, evitando biópsias desnecessárias. Se o TSH estiver normal, a ultrassonografia define a conduta baseada no tamanho e padrões ecográficos de suspeição. A Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) é reservada para nódulos que preenchem critérios específicos de tamanho e características ultrassonográficas sugestivas de malignidade.
O TSH é o marcador inicial porque determina se o nódulo é funcional (quente) ou não funcional (frio). Nódulos hiperfuncionantes, que suprimem o TSH, têm um risco de malignidade extremamente baixo (inferior a 1%). Se o TSH estiver suprimido, o próximo passo é a cintilografia para confirmar a autonomia do nódulo, o que geralmente exclui a necessidade de PAAF. Se o TSH for normal ou elevado, prossegue-se com a avaliação morfológica por ultrassonografia.
A ultrassonografia é fundamental para avaliar as características morfológicas do nódulo e aplicar critérios de estratificação de risco, como o TI-RADS. Embora frequentemente solicitada em conjunto com o TSH, ela é o exame de escolha para guiar a necessidade de PAAF em nódulos não funcionantes ou quando o TSH é normal/elevado. Ela avalia tamanho, ecogenicidade, presença de microcalcificações e margens.
Não necessariamente. Embora a rouquidão crônica possa indicar invasão do nervo laríngeo recorrente por um carcinoma, no contexto clínico apresentado, a paciente tinha sintomas agudos de faringite viral (odinofagia e febre). Nesses casos, a rouquidão é provavelmente inflamatória e transitória, não relacionada diretamente à patologia do nódulo incidental encontrado no exame físico.
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