AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Mulher de 47 anos percebeu em casa um aumento de volume cervical e, assustada, decidiu procurar um médico generalista. Na consulta, após palpação cuidadosa, o médico disse tratar-se de um nódulo tireoidiano e prontamente indicou avaliação com seu colega, endocrinologista especialista em doenças tireoidianas, mas orientou coleta de dosagem de TSH antes da consulta com o especialista. Acerca do caso, é correto afirmar que:
TSH suprimido em nódulo tireoidiano → Priorizar cintilografia para avaliar funcionalidade.
Se o TSH está suprimido, o nódulo pode ser hiperfuncionante (quente). Nódulos quentes raramente são malignos, o que pode dispensar a PAAF inicial.
O manejo inicial do nódulo tireoidiano foca na exclusão de malignidade e na avaliação funcional. O primeiro passo é sempre a dosagem de TSH. Se o TSH estiver normal ou elevado, a ultrassonografia é o próximo passo para estratificar o risco (via sistema TI-RADS) e decidir pela PAAF. No entanto, se o TSH estiver suprimido, a cintilografia assume o papel de exame prioritário. A lógica clínica reside no fato de que nódulos autônomos (hiperfuncionantes) 'poupam' o paciente de procedimentos invasivos desnecessários. A alternativa C da questão reflete essa priorização: em casos de TSH suprimido, a cintilografia pode preceder ou até dispensar a necessidade imediata de ultrassonografia para fins de biópsia, focando na caracterização funcional do nódulo.
A dosagem de TSH é o primeiro passo laboratorial na avaliação de um nódulo tireoidiano. Ela determina se o nódulo pode estar associado a um estado de hipertireoidismo ou autonomia funcional. Se o TSH estiver suprimido, a probabilidade de o nódulo ser hiperfuncionante aumenta significativamente. Nódulos hiperfuncionantes, conhecidos como 'quentes' na cintilografia, têm um risco de malignidade extremamente baixo (geralmente inferior a 1%), o que altera drasticamente a necessidade de biópsia por agulha fina (PAAF).
A cintilografia com radionuclídeos (Iodo-131 ou Tecnécio-99m) está indicada especificamente quando o paciente apresenta um nódulo tireoidiano associado a um TSH abaixo do limite inferior da normalidade (suprimido). O objetivo é verificar se o nódulo em questão é o responsável pela produção excessiva de hormônio (nódulo hipercaptante). Se o nódulo for 'frio' (hipocaptante) mesmo com TSH baixo, a investigação para malignidade com ultrassonografia e PAAF deve prosseguir normalmente.
Embora não seja impossível, a ocorrência de câncer em nódulos hipercaptantes (quentes) é raríssima. Por essa razão, as diretrizes da American Thyroid Association (ATA) e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) recomendam que, se um nódulo for identificado como quente na cintilografia, a PAAF não deve ser realizada rotineiramente, independentemente do tamanho ou características ultrassonográficas, focando-se o tratamento no controle do hipertireoidismo.
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