SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024
Mulher, 62 anos, em consulta de rotina, teve nódulo de tireoide detectado por um médico da atenção primária. Foi feita a dosagem de hormônio tireoestimulante - TSH (níveis normais) e, em seguida, solicitada ultrassonografia, que revelou nódulo de 0,8cm de diâmetro, sólido e contendo microcalcificações. Não se observou adenomegalia cervical. Foi feita a referência a um serviço de cirurgia para avaliação e conduta. Qual deve ser a proposta de tratamento/acompanhamento para essa paciente?
Nódulo < 1cm com microcalcificações sem linfonodopatia → Seguimento USG (não puncionar).
Nódulos tireoidianos menores que 1 cm, mesmo com características de alta suspeita como microcalcificações, geralmente não requerem PAAF imediata, optando-se pelo acompanhamento ultrassonográfico.
O manejo de nódulos tireoidianos baseia-se no equilíbrio entre a detecção precoce de carcinomas clinicamente relevantes e a prevenção do sobretratamento de lesões indolentes. A ultrassonografia é a ferramenta padrão-ouro para estratificação de risco, utilizando critérios como composição, ecogenicidade, forma, margens e focos ecogênicos. O sistema ACR-TIRADS e a ATA definem limiares de tamanho para PAAF baseados na probabilidade de malignidade. No caso de nódulos com microcalcificações (alta suspeita), o limiar de 1 cm é amplamente aceito para evitar biópsias em nódulos muito pequenos que raramente alteram o prognóstico se diagnosticados precocemente. A conduta expectante com vigilância ultrassonográfica é segura e recomendada para nódulos de 0,8 cm, garantindo que qualquer progressão seja detectada antes de comprometer o desfecho clínico do paciente.
Segundo as diretrizes da American Thyroid Association (ATA) e o sistema ACR-TIRADS, nódulos com características de alta suspeita (como microcalcificações, hipoecogenicidade e margens irregulares) devem ser submetidos à Punção Aspirativa por Agulha Fina (PAAF) apenas se apresentarem diâmetro maior ou igual a 1,0 cm. Nódulos menores que 1,0 cm, na ausência de linfonodopatia cervical suspeita ou fatores de risco extratireoidianos, devem ser acompanhados periodicamente com ultrassonografia para avaliar crescimento ou mudança de padrão, evitando procedimentos invasivos desnecessários em lesões de baixo potencial de agressividade clínica imediata.
As microcalcificações, visualizadas na ultrassonografia como focos ecogênicos pontuados sem sombra acústica posterior, são frequentemente associadas a corpos psamomatosos, que são marcadores histológicos comuns do carcinoma papilífero de tireoide. Embora aumentem significativamente o risco de malignidade (conferindo alta pontuação em sistemas como o TIRADS), sua presença isolada em nódulos subcentimétricos não é indicação absoluta de biópsia imediata, a menos que haja evidência de extensão extratireoidiana ou metástases linfonodais.
O seguimento de nódulos subcentimétricos com características de suspeita deve ser realizado através de ultrassonografia cervical seriada. O intervalo inicial recomendado costuma ser de 6 a 12 meses. Se o nódulo permanecer estável, os intervalos podem ser alongados. A PAAF passa a ser indicada caso o nódulo apresente crescimento significativo (aumento de 20% em pelo menos dois diâmetros ou aumento de volume superior a 50%) ou se surgirem novas características ultrassonográficas de alta suspeita, como linfonodomegalias cervicais ipsilaterais.
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