INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Homem com 42 anos de idade, vendedor ambulante, foi admitido para emprego formal no comércio e procura a Unidade Básica de Saúde para saber como deve proceder com relação a uma alteração identificada nos exames admissionais, reproduzida na radiografia de tórax mostrada abaixo: À anamnese, refere tosse seca há mais de seis meses, constante, diária, nunca tratada. Nega febre, dispneia, hemoptise e perda de peso. Não apresenta outras queixas. É portador de hipertensão arterial, controlada com hidroclorotiazida. É fumante, com uma carga tabágica de 20 maços/ano, há 22 anos. Apresenta como antecedente familiar um irmão com tuberculose pulmonar tratada no ano passado. Nega outros antecedentes patológicos ou história familiar de doença. O exame físico é normal. A conduta mais apropriada para este paciente, neste momento, é:
Nódulo pulmonar em tabagista com tosse crônica → TC de tórax é o próximo passo obrigatório.
Em pacientes com alta carga tabágica e achados radiográficos suspeitos, a TC de tórax é essencial para caracterizar o nódulo e definir a probabilidade de malignidade.
O manejo do nódulo pulmonar solitário (NPS) baseia-se na estimativa da probabilidade de malignidade. Fatores como idade acima de 40 anos, tabagismo ativo e características morfológicas na TC são cruciais. A TC de tórax é o exame de escolha após um achado suspeito no RX, pois define se o nódulo é sólido ou subsólido e orienta o seguimento conforme os critérios de Fleischner. Neste caso clínico, o paciente apresenta fatores de risco significativos (idade e tabagismo) e sintomas respiratórios persistentes. A conduta de 'observar' ou 'repetir RX' retardaria um possível diagnóstico de câncer de pulmão em estágio inicial, onde a ressecção cirúrgica oferece as melhores taxas de cura. O tratamento de prova para TB é desencorajado sem evidências mais robustas, dada a toxicidade do esquema RIPE.
A carga tabágica, expressa em maços/ano, é um dos principais preditores de malignidade em nódulos pulmonares solitários. Pacientes com mais de 20-30 maços/ano apresentam um risco significativamente elevado para adenocarcinoma e carcinoma de células escamosas. A presença de tosse crônica em um fumante com alteração radiológica deve sempre levantar a suspeita de neoplasia broncogênica, exigindo investigação imediata com tomografia de alta resolução para avaliar bordas, densidade e presença de calcificações no nódulo.
A radiografia de tórax possui baixa sensibilidade e especificidade para caracterizar lesões pequenas ou localizadas em áreas de difícil visualização (como ápices ou retrocardíacas). A tomografia computadorizada (TC) permite uma análise detalhada da morfologia do nódulo (bordas espiculadas vs. lisas), presença de gordura ou calcificações benignas (em pipoca, central) e detecção de linfonodomegalias mediastinais associadas, sendo o padrão-ouro para o estadiamento inicial e definição de conduta (biópsia, cirurgia ou observação).
Embora a história familiar de tuberculose e a tosse crônica sejam sugestivas, a ausência de sintomas constitucionais (febre, perda de peso, sudorese noturna) e a carga tabágica elevada deslocam a probabilidade pré-teste para neoplasia. Na tuberculose, as lesões costumam ser cavitadas e localizadas nos segmentos apicais e posteriores dos lobos superiores. Contudo, em áreas endêmicas, a coinfecção ou a confusão diagnóstica são comuns, mas a prioridade em um vendedor ambulante fumante de 42 anos deve ser excluir malignidade via TC.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo