Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2023
Paciente de 34 anos de idade, sem morbidades crônicas conhecidas, queixa-se de nódulo em mama direita, que notou há uma semana ao realizar autoexame pela primeira vez. A paciente realizou ultrassonografia de mama, que evidenciou nódulo em mama direita com contornos irregulares, orientação vertical, textura heterogênea, limites parcialmente definidos e presença de sombra acústica posterior, medindo 2,0 × 1,5 × 1,0 cm.Nesse caso hipotético, a conduta a ser adotada é
Nódulo mamário com contornos irregulares, orientação vertical e sombra acústica posterior → Alta suspeita de malignidade → Biópsia por agulha grossa.
As características ultrassonográficas descritas (contornos irregulares, orientação vertical, textura heterogênea, limites parcialmente definidos e sombra acústica posterior) são altamente sugestivas de malignidade, classificando o nódulo como BI-RADS 4 ou 5. Nesses casos, a biópsia por agulha grossa (core biopsy) é a conduta padrão para obter material histopatológico e confirmar o diagnóstico.
A avaliação de nódulos mamários é uma parte crucial da prática clínica, especialmente em mulheres jovens, onde a incidência de câncer de mama, embora menor que em idosas, não deve ser negligenciada. A ultrassonografia de mama é uma ferramenta diagnóstica fundamental, especialmente em mamas densas, e permite caracterizar lesões e guiar procedimentos invasivos. A interpretação correta dos achados ultrassonográficos é vital para determinar a conduta apropriada. Características ultrassonográficas como contornos irregulares, orientação vertical, sombra acústica posterior, textura heterogênea e limites mal definidos são marcadores de alta suspeita para malignidade. Essas características levam a uma classificação BI-RADS elevada (4 ou 5), indicando a necessidade de investigação histopatológica. A biópsia por agulha grossa (core biopsy) é o método de escolha nesses casos, pois fornece amostras de tecido adequadas para um diagnóstico histopatológico preciso, incluindo o tipo de tumor, grau e receptores hormonais, informações cruciais para o planejamento terapêutico. É fundamental que o residente saiba diferenciar as características benignas das malignas na ultrassonografia e compreenda a importância da biópsia por agulha grossa para um diagnóstico definitivo. Atrasos no diagnóstico de câncer de mama podem impactar significativamente o prognóstico da paciente. A punção aspirativa por agulha fina (PAAF) tem um papel mais limitado em lesões sólidas suspeitas, sendo mais indicada para lesões císticas ou para confirmação de lesões benignas já bem caracterizadas.
Características de alta suspeita incluem contornos irregulares ou espiculados, orientação vertical (mais alto que largo), sombra acústica posterior, microcalcificações, vascularização interna e espessamento dos ligamentos de Cooper. Essas características elevam a classificação BI-RADS.
A PAAF coleta células para análise citológica, sendo útil para diferenciar lesões císticas de sólidas ou para diagnóstico de lesões benignas. A core biopsy, por sua vez, remove fragmentos de tecido para análise histopatológica, permitindo um diagnóstico mais preciso, incluindo o tipo histológico e o grau do tumor, e a diferenciação entre lesão in situ e invasiva.
O sistema BI-RADS (Breast Imaging Reporting and Data System) padroniza a descrição de achados em exames de imagem da mama, classificando as lesões de 0 a 6 de acordo com o risco de malignidade. BI-RADS 4 (suspeito) e 5 (altamente sugestivo de malignidade) geralmente indicam a necessidade de biópsia.
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