USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Mulher de 33 anos, em uso de anticoncepcional oral há 18 anos, realiza tomografia em investigação de dor abdominal, que evidenciou o nódulo hepático mostrado na imagem a seguir. Qual é a melhor conduta?
Nódulo hepático em usuária de ACO: suspender ACO e observar, exceto se grande, sintomático ou com características malignas.
Nódulos hepáticos em mulheres jovens, especialmente usuárias de anticoncepcionais orais, frequentemente representam lesões benignas como adenomas hepáticos ou hiperplasia nodular focal (HNF). A conduta inicial para adenomas é a suspensão do ACO, com acompanhamento por imagem. A observação clínica é apropriada para lesões pequenas, assintomáticas e sem características de malignidade.
O uso prolongado de anticoncepcionais orais (ACO) tem sido associado ao desenvolvimento de lesões hepáticas benignas, principalmente o adenoma hepático e, em menor grau, a hiperplasia nodular focal (HNF). O adenoma hepático é uma neoplasia benigna que pode crescer sob estímulo estrogênico, apresentando riscos de sangramento intra-tumoral e, raramente, transformação maligna. A HNF, por outro lado, é uma lesão congênita, geralmente assintomática e sem potencial maligno. O diagnóstico dessas lesões é feito por exames de imagem como ultrassonografia, tomografia computadorizada e ressonância magnética, que podem apresentar características distintivas. A ressonância magnética com contraste hepatoespecífico é o exame de maior acurácia para diferenciar adenomas de HNF. A biópsia hepática é reservada para casos atípicos ou quando há suspeita de malignidade. A conduta para nódulos hepáticos em usuárias de ACO depende do tipo de lesão, tamanho, sintomas e risco de complicações. Para adenomas, a suspensão do ACO é a primeira medida, seguida de acompanhamento por imagem. Lesões pequenas e assintomáticas podem ser apenas observadas. Adenomas maiores (>5cm), sintomáticos ou com crescimento rápido podem exigir ressecção cirúrgica. A HNF geralmente não requer tratamento, apenas observação. É fundamental que o residente saiba diferenciar essas lesões e aplicar a conduta adequada para evitar intervenções desnecessárias ou atrasos no tratamento de lesões de risco.
Os tipos mais comuns são o adenoma hepático e a hiperplasia nodular focal (HNF). O adenoma tem maior associação com o uso de ACO e potencial de sangramento ou transformação maligna, enquanto a HNF é uma lesão congênita sem risco maligno.
A suspensão do anticoncepcional oral é fortemente indicada quando um adenoma hepático é diagnosticado, pois o estrogênio pode estimular seu crescimento e aumentar o risco de complicações. Para HNF, a suspensão não é estritamente necessária, mas pode ser considerada.
A intervenção cirúrgica (nodulectomia ou embolização) é considerada para adenomas grandes (>5cm), sintomáticos, com crescimento rápido, sangramento ou características suspeitas de malignidade. A HNF raramente requer cirurgia.
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