SMS Santos - Secretaria Municipal de Saúde de Santos (SP) — Prova 2023
O cenário do enfrentamento ao coronavírus começou a se modificar após o início do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19. Apesar da resistência de uma parcela considerável da sociedade brasileira, a imunização em massa assumiu seu protagonismo num caminho oposto ao da Cloroquina. Inicialmente, a droga foi aprovada para uso no tratamento da Covid em caráter emergencial. Após cerca de 3 meses, o FDA (sigla em inglês da agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos) revogou a autorização, devido aos potenciais riscos do fármaco e à falta de estudos científicos consolidados que justificassem o seu uso rotineiro. No Brasil, a promoção do uso da Cloroquina e da Hidroxicloroquina trouxe diversas consequências. O Conselho Federal de Medicina (CFM), por exemplo, não se posicionou contra a prescrição do remédio para o tratamento da Covid e explicou que esse posicionamento seria contrário a um dos princípios básicos da medicina, contemplado no Código de Ética Médica. Com relação ao texto, é correto afirmar que a vacinação e as advertências contrárias ao uso indiscriminado da Cloroquina constituem, dentro da história natural das doenças, medidas de prevenção a nível
Vacina = Prevenção Primária (evita a doença); Evitar iatrogenia = Prevenção Quaternária (evita dano médico).
A vacinação atua antes da patogênese (primária), enquanto o combate ao uso indiscriminado de fármacos sem evidência protege o paciente de danos iatrogênicos (quaternária).
O modelo de Leavell & Clark revolucionou a saúde pública ao estruturar as intervenções médicas de acordo com a História Natural da Doença. No cenário da pandemia de COVID-19, a vacinação em massa exemplifica a prevenção primária ao reduzir a incidência e gravidade da infecção na população. Paralelamente, a discussão sobre o uso de medicamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina, trouxe à tona a necessidade da prevenção quaternária. Este nível de prevenção é um imperativo ético moderno que desafia a tendência de medicalização excessiva da vida, exigindo que o médico atue como um filtro crítico contra intervenções que possam causar mais danos do que benefícios aos pacientes.
A prevenção primária ocorre no período pré-patogênico da história natural da doença. Seu objetivo é remover causas e fatores de risco para impedir que a doença ocorra. Exemplos clássicos incluem a imunização (vacinas), o uso de preservativos e o incentivo à atividade física.
Conceituada por Marc Jamoulle, a prevenção quaternária consiste na detecção de indivíduos em risco de intervenções médicas excessivas ou desnecessárias (overmedicalization). Visa proteger o paciente de danos iatrogênicos e garantir que as práticas médicas sejam baseadas em evidências e ética, respeitando o princípio de 'primum non nocere'.
A prevenção secundária foca no diagnóstico precoce e tratamento imediato para evitar a progressão da doença (ex: rastreamento de câncer). A prevenção terciária atua na fase de sequelas, buscando a reabilitação do paciente e a redução da incapacidade (ex: fisioterapia pós-AVC).
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