MedEvo Ciclo Básico — Prova 2025
Um homem de 62 anos, com diagnóstico de intolerância à glicose (glicemia de jejum de 118 mg/dL e Hemoglobina Glicada de 6,0%) e Obesidade Grau I, comparece à consulta na Unidade Básica de Saúde. O médico prescreve um plano de mudanças no estilo de vida e inicia o uso de metformina com o objetivo de reduzir o risco de progressão para Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2). Durante o atendimento, o paciente solicita a dosagem de PSA e um ultrassom de próstata, pois um vizinho foi diagnosticado com câncer recentemente. O médico, após explicar que o paciente não apresenta sintomas urinários e discutir os riscos de rastreamento oportunístico, como o sobrediagnóstico (overdiagnosis) e intervenções cirúrgicas desnecessárias, decide, em comum acordo com o paciente, não realizar os exames. Com base no modelo de Leavell & Clark e nas definições da WONCA, as duas condutas médicas descritas classificam-se, respectivamente, como:
Se você age para impedir que uma doença apareça em alguém que só tem fatores de risco, é Prevenção Primária. Se você age para proteger o paciente de um excesso de exames ou tratamentos que fariam mais mal do que bem, é Prevenção Quaternária.
O modelo de Leavell e Clark estrutura a história natural da doença em períodos pré-patogênico e patogênico. No período pré-patogênico, a prevenção primária atua através da promoção da saúde e proteção específica, como o uso de medicamentos para evitar a progressão de condições de risco. Já a prevenção secundária foca no diagnóstico precoce e tratamento imediato para limitar a invalidez quando a doença já se instalou silenciosamente. A prevenção quaternária, introduzida posteriormente pela WONCA, é um conceito ético fundamental na Atenção Primária à Saúde. Ela busca evitar o 'overdiagnosis' e o 'overtreatment', especialmente em situações de rastreamento oportunístico onde o benefício não é comprovado ou os riscos de iatrogenia superam as vantagens. O diálogo médico-paciente sobre os riscos do PSA em assintomáticos é o exemplo clássico dessa prática, priorizando a autonomia e a segurança do paciente contra intervenções fúteis.
Porque na Prevenção Secundária a doença já existe (estágio inicial/assintomático). No pré-diabetes, o paciente ainda não preencheu os critérios para a patologia DM2; logo, estamos agindo na pré-patogênese.
É a detecção de indivíduos em risco de intervenções médicas excessivas, visando protegê-los de novas invasões médicas e sugerindo alternativas eticamente aceitáveis.
Ambas são Prevenção Primária. A Promoção é geral (ex: comer bem), a Proteção Específica é focada em uma doença (ex: vacina para gripe ou metformina para diabetes).
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