INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma mulher de 45 anos de idade, história de diabetes e asma brônquica, estava internada no Hospital Municipal com quadro de pneumonia comunitária. Ao receber alta hospitalar foi orientada a procurar uma Unidade Básica de Saúde para solicitar administração de vacina pneumocócia 23-valente (polissacarídica). Qual o tipo de prevenção objetivada a partir da ação descrita?
Vacinação = Prevenção Primária (Proteção específica antes da doença).
A prevenção primária visa reduzir a incidência da doença através da remoção de fatores de risco ou proteção específica (vacinas).
Os níveis de prevenção de Leavell e Clark são fundamentais para a organização das práticas de saúde pública. A vacinação é um dos exemplos mais bem-sucedidos de prevenção primária, reduzindo drasticamente a carga de doenças infecciosas e custos hospitalares.
A prevenção primária compreende ações destinadas a remover causas e fatores de risco de um problema de saúde individual ou populacional antes do desenvolvimento da doença. Ela se divide em promoção da saúde (medidas gerais como saneamento e educação) e proteção específica (medidas direcionadas como imunizações e uso de preservativos). No caso da vacina pneumocócica 23-valente mencionada, trata-se de uma estratégia de proteção específica para evitar a colonização e infecção invasiva pelo Streptococcus pneumoniae em indivíduos vulneráveis, agindo antes que o processo patológico se inicie, reduzindo assim a incidência da pneumonia e suas complicações na comunidade.
A prevenção secundária foca na detecção precoce de doenças em estágios iniciais ou assintomáticos, visando o tratamento imediato e a redução da prevalência e gravidade. O exemplo clássico é o rastreamento (screening), como a mamografia para câncer de mama ou o teste de Papanicolaou para câncer de colo uterino. Diferente da primária, a doença já pode estar presente, mas o objetivo é interromper sua progressão. Já a prevenção terciária atua em indivíduos com a doença já estabelecida e sintomática, focando na reabilitação, redução de sequelas e prevenção de complicações tardias, como a fisioterapia pós-AVC ou o controle glicêmico rigoroso para evitar nefropatia diabética.
A prevenção quaternária é um conceito mais recente que visa identificar pacientes em risco de sobremedicalização e protegê-los de intervenções médicas desnecessárias ou potencialmente danosas (iatrogenia). Ela se baseia no princípio da não-maleficência, buscando evitar o excesso de diagnósticos (overdiagnosis) e tratamentos (overtreatment). Exemplos incluem evitar a solicitação de exames de imagem para lombalgia aguda inespecífica ou não prescrever antibióticos para infecções virais. É uma prática essencial para a sustentabilidade do sistema de saúde e para a segurança do paciente, garantindo que as intervenções realizadas tragam benefícios reais que superem os riscos associados.
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