PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Técnica de enfermagem de 45 anos comparece à UBS com queixas de dor no ombro direito, que piora quando está deitada, e dificuldade de elevar o braço acima do nível do ombro. Estes sintomas iniciaram-se há aproximadamente 12 meses. Nega episódios semelhantes no passado e relata ter recebido diagnóstico de tendinite do ombro quando de atendimento na UPA, onde foi medicada com analgésico/anti-inflamatório e encaminhada para seguimento na UBS. A paciente trabalha em unidade de internação de clínica médica em hospital geral. Durante a consulta, solicita ao médico de família que emita uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) uma vez que as dores pioram ao final da jornada de trabalho. A paciente trouxe para a consulta uma radiografia do ombro direito sem alterações. Assinale a alternativa que apresenta o fator cuja AUSÊNCIA constitui dificuldade para o estabelecimento do nexo ou da relação entre trabalho e doença.
Estabelecimento de nexo causal doença ocupacional → Identificar fatores de risco específicos do trabalho para a patologia.
Para estabelecer o nexo causal entre o trabalho e a doença (tendinite do ombro, neste caso), é fundamental identificar os fatores de risco específicos presentes no ambiente de trabalho da paciente aos quais ela estaria exposta. A ausência dessa identificação dificulta a comprovação de que a doença foi desencadeada ou agravada pelas condições laborais.
O estabelecimento do nexo causal entre uma doença e o trabalho é um pilar fundamental da Saúde do Trabalhador e da Medicina do Trabalho. É crucial para a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e para garantir os direitos previdenciários e assistenciais do trabalhador. A tendinite do ombro, classificada como LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), é uma das condições mais comuns nesse contexto. Para determinar o nexo causal, o médico deve realizar uma anamnese ocupacional detalhada, investigando as tarefas realizadas, a postura, os movimentos repetitivos, o levantamento de peso e outros fatores ergonômicos. A fisiopatologia da tendinite envolve sobrecarga mecânica e inflamação dos tendões do manguito rotador. O diagnóstico é clínico, complementado por exames de imagem, mas a chave para o nexo é a correlação com as exigências do trabalho. A ausência de identificação clara dos fatores de risco específicos no ambiente de trabalho da paciente (como movimentos repetitivos, posturas forçadas, levantamento de peso) é a maior dificuldade para estabelecer o nexo. Embora a tendinite do ombro seja reconhecida como doença relacionada ao trabalho, a comprovação individual exige a demonstração da exposição a esses fatores. O tratamento envolve repouso, fisioterapia, analgésicos e anti-inflamatórios, além de adaptações ergonômicas no posto de trabalho.
Os critérios incluem a história clínica e ocupacional detalhada, o diagnóstico da doença, a identificação de fatores de risco presentes no ambiente de trabalho, a exclusão de outras causas não ocupacionais e, se possível, a existência de estudos epidemiológicos ou dados ambientais que corroborem a relação.
A CAT é um documento que informa o acidente de trabalho ou doença ocupacional à Previdência Social. É obrigatória para garantir os direitos do trabalhador e deve ser emitida mesmo em caso de suspeita, não apenas de confirmação do nexo.
A ergonomia estuda a adaptação do trabalho ao homem, buscando otimizar as condições de trabalho para prevenir lesões e doenças. Posturas inadequadas, movimentos repetitivos e levantamento de peso excessivo, sem princípios ergonômicos, são fatores de risco para tendinites e outras LER/DORT.
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