Nevralgia do Trigêmeo: Diagnóstico Clínico e Manejo Inicial

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 76 anos de idade, procura atendimento na UBS por episódios de dor intensa em hemiface esquerda, principalmente em região maxilar e de mandíbula, graduando até 8/10 na escala de dor. O quadro se repete há 3 anos, associado a sensação de choques e é precipitado pela mastigação ou frio. Tem hipertensão arterial sistêmica, em uso de hidrocloratiazida e enalapril. Ao exame, apresentase em bom estado geral, com sinais vitais estáveis, com alodínia térmica em hemiface esquerda. Demais exames segmentares sem alterações.Considerando o caso clínico descrito, indique o diagnóstico mais provável:

Alternativas

  1. A) Nevralgia do nervo facial.
  2. B) Nevralgia do nervo trigêmeo.
  3. C) Cefaleia em salvas.
  4. D) Arterite de células gigantes.

Pérola Clínica

Dor facial em choque + gatilhos (mastigação/frio) + território do V par = Nevralgia do Trigêmeo.

Resumo-Chave

A nevralgia do trigêmeo é caracterizada por paroxismos de dor lancinante, geralmente idiopática ou por compressão vascular do nervo na zona de entrada da ponte.

Contexto Educacional

A nevralgia do trigêmeo (NT) é uma das condições de dor mais intensas conhecidas na medicina. Afeta predominantemente adultos acima dos 50 anos e mulheres. A fisiopatologia envolve frequentemente a compressão da raiz do nervo trigêmeo por uma alça vascular aberrante, levando à desmielinização e transmissão efáptica de impulsos. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da ICHD-3, que exigem ataques paroxísticos de dor em um ou mais ramos do trigêmeo, sem déficit neurológico evidente. Exames de imagem como a ressonância magnética são úteis para excluir causas secundárias como tumores ou esclerose múltipla.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais gatilhos da nevralgia do trigêmeo?

Os paroxismos de dor na nevralgia do trigêmeo são frequentemente desencadeados por estímulos sensoriais inócuos em áreas específicas da face, conhecidas como 'zonas de gatilho'. Atividades cotidianas como mastigar, falar, escovar os dentes, lavar o rosto ou mesmo a exposição a correntes de ar frio podem precipitar crises de dor intensa, tipo choque elétrico, que duram de alguns segundos a dois minutos.

Qual o tratamento de primeira linha para nevralgia do trigêmeo?

O tratamento farmacológico de primeira escolha é a carbamazepina, um anticonvulsivante que estabiliza as membranas neuronais hiperexcitáveis. A oxcarbazepina é uma alternativa comum com perfil de efeitos colaterais mais favorável. Em casos refratários ao tratamento medicamentoso, podem ser indicadas intervenções cirúrgicas, como a descompressão microvascular (cirurgia de Janetta) ou procedimentos percutâneos (rizotomia por balão ou radiofrequência).

Como diferenciar nevralgia do trigêmeo de arterite de células gigantes?

Embora ambas possam causar dor facial em idosos, a arterite de células gigantes (ACG) geralmente apresenta claudicação de mandíbula, cefaleia temporal, hipersensibilidade no couro cabeludo e sintomas sistêmicos (febre, perda de peso), além de risco de perda visual. A nevralgia do trigêmeo é caracterizada por dor paroxística em choque, sem sintomas sistêmicos e com exames laboratoriais normais.

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