USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente com 3 anos de idade em tratamento de rabdomiossarcoma embrionário há 6 meses. Há 6 horas apresentou quadro de febre 38,5 ºC, um pico isolado, que cedeu com uso de dipirona. Sem outras queixas. Último ciclo de quimioterapia há 9 dias (vincristina, actinomicina e ciclofosfamida). Ao exame: BEG, descorado (+/++++), acianótico, anictérico, sem edemas, boa perfusão periférica. Boca e ouvido: s/alterações. AR: FR: 26 irpm. Murmúrio vesicular simétrico, sem ruídos adventícios. ACV: FC: 108 bpm. Bulhas rítmicas, normofonéticas, sem sopros. SGI: Abdome normotenso, sem visceromegalias. Ruídos hidroaéreos presentes e normoativos. Presença de hiperemia perineal. SN: sem sinais meníngeos. Solicitado hemograma, que evidenciou: Hb: 8,6 g/dl, GB: 1.200/mm³ (8% segmentados e 92% linfócitos), Plaquetas: 68.000/mm³. A conduta para o paciente acima é?
Criança oncológica com febre e neutropenia grave → Internar e iniciar ATB IV de amplo espectro imediatamente.
Paciente pediátrico em quimioterapia com febre e neutropenia grave (ANC < 500/mm³) é uma emergência médica. A conduta inicial é internação hospitalar e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, cobrindo Gram-positivos, Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e, se houver suspeita, anaeróbios.
A neutropenia febril é uma das complicações mais graves e frequentes em pacientes pediátricos submetidos à quimioterapia para câncer, como o rabdomiossarcoma. Representa uma emergência oncológica devido ao alto risco de sepse e morte. A incidência varia dependendo do regime quimioterápico e do tipo de câncer, mas a mortalidade pode ser significativa se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a mielossupressão induzida pela quimioterapia, que leva à diminuição da produção de neutrófilos, comprometendo a primeira linha de defesa contra infecções. A febre é frequentemente o único sinal de infecção grave. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com a detecção de febre e neutropenia. A investigação deve incluir a busca por focos infecciosos, mas o tratamento não deve ser atrasado pela ausência de um foco claro. O tratamento é a internação hospitalar e o início imediato de antibióticos intravenosos de amplo espectro. A escolha do antibiótico empírico deve cobrir os patógenos mais comuns, incluindo bactérias Gram-negativas (especialmente Pseudomonas aeruginosa) e Gram-positivas. Cefepime, piperacilina-tazobactam ou meropenem são opções comuns. A adição de metronidazol é considerada em casos com suspeita de infecção anaeróbia. A duração do tratamento e a modificação da antibioticoterapia dependem da evolução clínica e dos resultados das culturas.
A neutropenia febril é definida pela presença de febre (temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por uma hora) em um paciente com neutropenia, que é a contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ em 48 horas.
A conduta inicial é uma emergência médica: internação hospitalar imediata, coleta de culturas (sangue, urina, sítios suspeitos) e início de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, preferencialmente em até 60 minutos após a chegada, para cobrir Gram-positivos e Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa.
Cefepime é um antibiótico de amplo espectro que cobre Gram-positivos e Gram-negativos, incluindo Pseudomonas, sendo uma escolha comum para monoterapia. O metronidazol é adicionado quando há suspeita de infecção por anaeróbios, como em casos de mucosite grave, infecções perianais ou abdominais, complementando o espectro do cefepime.
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