Neutropenia Febril: Critérios de Alta Segura

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 55 anos, sexo feminino, em tratamento quimioterápico de câncer de mama avançado, procura o pronto atendimento por queixa de febre referida. Ela explica que a febre teve início no dia de hoje, uma semana após ter feito sua última sessão de quimioterapia. Na avaliação inicial, a paciente encontra-se hemodinamicamente estável, com temperatura axilar de 38,3 ºC, sem outras alterações ao exame físico. Os exames laboratoriais iniciais mostram leucopenia importante, com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) de 100 células/mm³, sem outras alterações significativas. Você decide internar a paciente e iniciar antibioticoterapia empírica com cefepime. No 4.º dia de internação, a paciente encontra-se em bom estado geral, afebril há mais de 72 horas, sem outras queixas, com culturas negativas, com CAN de 560 células/mm³ nos dois últimos dias. Diante do exposto, qual é a conduta correta nesse momento?

Alternativas

  1. A) Manter cefepime até completar 7 dias de tratamento antibiótico e realizar alta hospitalar após o término do tratamento antibiótico.
  2. B) Suspender cefepime e realizar alta hospitalar para seguimento ambulatorial, com orientações sobre sinais de alerta e reavaliação de emergência se necessário.
  3. C) Manter cefepime e associar filgrastim para acelerar a recuperação neutrofílica antes de realizar alta hospitalar.
  4. D) Trocar cefepime por ciprofloxacino via oral e realizar alta hospitalar de forma que a paciente complete pelo menos 7 dias de tratamento antibiótico em regime ambulatorial.
  5. E) Suspender cefepime e manter a paciente em regime de internação hospitalar para avaliação de curva térmica nas próximas 72 horas, com programação de realizar alta hospitalar se permanecer afebril.

Pérola Clínica

Neutropenia febril de baixo risco + recuperação neutrofílica + afebril >48h + culturas negativas → suspender ATB e alta.

Resumo-Chave

Em pacientes com neutropenia febril de baixo risco, a recuperação da contagem absoluta de neutrófilos (CAN > 500 células/mm³), ausência de febre por mais de 48 horas e culturas negativas permitem a suspensão da antibioticoterapia e alta hospitalar. A manutenção desnecessária de antibióticos aumenta o risco de resistência e efeitos adversos.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e comum em pacientes submetidos à quimioterapia mielossupressora, representando uma emergência oncológica. É definida pela presença de febre (temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por mais de uma hora) e neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ em 48 horas). O manejo inicial envolve a estratificação de risco e o início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. A paciente do caso, embora com CAN de 100 células/mm³, apresenta estabilidade hemodinâmica e ausência de outras alterações, sugerindo um perfil de baixo risco, embora a internação e cefepime sejam condutas adequadas inicialmente. A recuperação neutrofílica (CAN > 500 células/mm³) e a resolução da febre por mais de 48-72 horas, com culturas negativas, são os principais critérios para a descontinuação da antibioticoterapia e alta hospitalar. A manutenção desnecessária de antibióticos prolonga a exposição a efeitos adversos, seleciona bactérias resistentes e aumenta os custos de saúde. Portanto, a suspensão do cefepime e a alta hospitalar para seguimento ambulatorial são a conduta mais apropriada, com orientação sobre sinais de alerta. O uso de fatores estimuladores de colônias de granulócitos (G-CSF), como o filgrastim, não é indicado rotineiramente para todos os casos de neutropenia febril, sendo reservado para situações de alto risco ou neutropenia prolongada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para considerar a neutropenia febril como de baixo risco?

Pacientes de baixo risco geralmente apresentam escore MASCC ≥ 21, ausência de comorbidades significativas, estabilidade hemodinâmica, ausência de foco infeccioso evidente e expectativa de neutropenia de curta duração.

Quando a antibioticoterapia empírica pode ser suspensa na neutropenia febril?

A antibioticoterapia pode ser suspensa quando o paciente está afebril por pelo menos 48 horas, as culturas são negativas e há evidência de recuperação medular (CAN > 500 células/mm³).

Qual o papel do filgrastim no manejo da neutropenia febril?

O filgrastim (G-CSF) pode ser usado para acelerar a recuperação neutrofílica em pacientes de alto risco ou com neutropenia prolongada, mas não é rotineiramente indicado para todos os casos de neutropenia febril.

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