UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
Internado no hospital, um paciente de 10 anos de idade em tratamento quimioterápico com cateter venoso central de curta duração desenvolve quadro febril (temperatura axilar de 38,1ºC) sem sinais infecciosos aparentes. Havia recebido quinolona recentemente e tem história de internação recente por mais de 14 dias por abscesso anal. Seu hemograma revela: Hb de 9,0g/dL, Ht de 27%, leucócitos de 1.700/mm³ (neutrófilos de 400/mm³) e plaquetas de 110.000/mm³. Sobre a conduta imediata para o caso, assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas assertivas seguintes.(__) Coleta de hemoculturas de urgência (sangue periférico e do cateter central) e uroculturas, seguidas de administração de antibioticoterapia empírica com cefepime.(__) Pesquisa de foco infeccioso com tomografia computadorizada de tórax de alta definição e de abdome, ecocardiograma transesofágico e exame do líquor.(__) Coleta de hemoculturas de urgência (sangue periférico e do cateter central) e uroculturas, seguidas de administração de antibioticoterapia empírica com meropeném + vancomicina.(__) Administração de filgrastim; fator estimulador de colônias de granulócitos (G-CSF).A sequência correta é
Neutropenia febril alto risco (pediatria, cateter, abscesso): hemoculturas + ATB empírica amplo espectro (Meropeném + Vancomicina).
A neutropenia febril em pacientes oncológicos é uma emergência. A conduta imediata inclui coleta de culturas e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo Gram-positivos e Gram-negativos, especialmente em pacientes de alto risco ou com histórico de resistência.
A neutropenia febril é uma complicação grave e comum em pacientes submetidos a quimioterapia, especialmente crianças. É definida pela presença de febre em um paciente com contagem de neutrófilos muito baixa, indicando um risco iminente de infecção grave e sepse. A rápida identificação e manejo são cruciais, pois a mortalidade pode ser alta se o tratamento for atrasado. O paciente em questão apresenta múltiplos fatores de risco para infecção grave e patógenos resistentes: é pediátrico, em quimioterapia, possui cateter venoso central, tem histórico de uso recente de quinolona e internação por abscesso anal. A neutropenia é profunda (400 neutrófilos/mm³). A conduta imediata e essencial é a coleta de hemoculturas (tanto de sangue periférico quanto do cateter central) e uroculturas, seguida do início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. Para pacientes de alto risco como este, a combinação de Meropeném (um carbapenêmico com excelente cobertura para Gram-negativos, incluindo Pseudomonas, e alguns Gram-positivos e anaeróbios) e Vancomicina (para cobertura de Gram-positivos resistentes, como MRSA, e infecções relacionadas a cateter) é uma escolha apropriada. A investigação de foco infeccioso com exames de imagem e líquor não deve atrasar o início dos antibióticos. O uso de fatores estimuladores de colônias de granulócitos (G-CSF) como o filgrastim não é uma conduta imediata para o tratamento da neutropenia febril, sendo mais utilizado para profilaxia ou recuperação medular.
Neutropenia febril é definida como uma única temperatura oral ≥ 38,3°C ou temperatura ≥ 38,0°C por mais de uma hora, associada a uma contagem de neutrófilos < 500/mm³ ou < 1000/mm³ com previsão de queda para < 500/mm³ em 48 horas.
Pacientes neutropênicos têm um sistema imunológico comprometido e podem desenvolver infecções graves rapidamente, com alta mortalidade. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro, iniciada precocemente, visa cobrir os patógenos mais prováveis e prevenir a progressão para sepse e choque.
A cobertura para Gram-positivos com Vancomicina é indicada em pacientes de alto risco, como aqueles com instabilidade hemodinâmica, infecção de cateter venoso central, mucosite grave, uso prévio de quinolonas, colonização por MRSA ou histórico de infecção por Gram-positivos resistentes.
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