Neutropenia Febril: Diagnóstico e Tratamento Urgente

UNITAU - Universidade de Taubaté (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 45 anos, procura uma UPA devido à febre de 39 graus e náusea iniciados no dia de hoje. Refere ter seguido orientação em procurar atendimento por parte do serviço da hematologia onde está em tratamento devido ao diagnóstico de linfoma. Refere quimioterapia há 10 dias, sem intercorrências. Ao exame físico permanece febril, em bom estado geral, FC: 102bpm; PA: 120x70mmhg, sem identificação de foco para febre.Sobre o caso, lhe pareceria melhor conduta:

Alternativas

  1. A) Administração de dipirona endovenosa, observação por 1h; se melhorar da febre, orientar alta com retorno ao serviço de origem.
  2. B) Administração de paracetamol via oral e liberação para casa, retornar se mudança do quadro.
  3. C) Internação em leito de enfermaria para observação por pelo menos 24h sobre febre e possível foco.
  4. D) Coleta do hemograma, caso haja neutrófilos inferior a 1500 iniciar antibiótico de amplo espectro e internar em leito de UTI.
  5. E) Coleta de hemograma para resultado rápido, se neutrófilo inferior a 500 coletar hemoculturas e iniciar antibioticoterapia de amplo espectro.

Pérola Clínica

Neutropenia febril (neutrófilos < 500/mm³) → Hemoculturas + ATB empírico de amplo espectro + Internação.

Resumo-Chave

Pacientes oncológicos em quimioterapia com febre devem ser prontamente avaliados para neutropenia febril. A contagem de neutrófilos abaixo de 500/mm³ configura neutropenia grave, exigindo coleta de culturas e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, mesmo sem foco aparente, devido ao alto risco de sepse.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma emergência oncológica comum e potencialmente fatal, definida pela presença de febre em um paciente com neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³ ou < 1000/mm³ com expectativa de queda). É uma complicação frequente da quimioterapia mielossupressora, como a utilizada no tratamento de linfoma, e exige reconhecimento e manejo imediatos. A fisiopatologia envolve a supressão da medula óssea pela quimioterapia, levando à diminuição dos neutrófilos, que são a primeira linha de defesa contra infecções bacterianas e fúngicas. A febre é frequentemente o único sinal de infecção grave, e a ausência de um foco infeccioso aparente não exclui a presença de sepse. A conduta imediata inclui a coleta de hemograma para confirmar a neutropenia, hemoculturas (e outras culturas conforme a clínica) e o início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, que deve cobrir bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa. A internação hospitalar é mandatória para monitoramento e administração intravenosa dos antibióticos, visando prevenir a progressão para choque séptico.

Perguntas Frequentes

O que define neutropenia febril?

Neutropenia febril é definida como uma única temperatura oral ≥ 38,3°C ou temperatura ≥ 38,0°C por mais de uma hora, associada a uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500/mm³ ou CAN < 1000/mm³ com expectativa de queda para < 500/mm³ em 48 horas.

Qual a importância da antibioticoterapia empírica na neutropenia febril?

A antibioticoterapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente após a coleta de culturas, pois a neutropenia febril é uma emergência oncológica com alto risco de sepse e morte se o tratamento for atrasado.

Quais patógenos são mais comuns na neutropenia febril?

Os patógenos mais comuns são bactérias Gram-negativas (como Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella, E. coli) e Gram-positivas (como Staphylococcus aureus e Streptococcus). A escolha do antibiótico deve cobrir um amplo espectro desses agentes.

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