PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Paciente de 32 anos, sexo masculino, é admitido no pronto-socorro com queixa de febre aferida há 30 minutos de 39°C. Refere disuria iniciada há 1 dia, sem outros sinais ou sintomas infecciosos. Ao exame físico apresenta leve taquicardia, sem hipotensão e sem outras alterações dignas de nota. Apresenta relatório médico de alta que consta realização de protocolo quimioterápico de indução (Idarrubicina e Citarabina) para Leucemia Mieloide Aguda há 18 dias. Hemograma realizado na admissão: Hb: 7,8 mg/dL. LT: 200 cel/mm³ seg: 50 cel/mm³ L:100 cel/mm³ Plaq: 35.000/mm³ Qual é a conduta a ser estabelecida no atendimento de urgência?
Febre + Neutrófilos < 500/mm³ → Iniciar antibiótico antipseudomonas (Cefepime/Tazo/Mero) na 1ª hora.
A neutropenia febril é uma emergência médica definida por febre isolada (>38,3°C) ou persistente (>38°C por 1h) com contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³. O tratamento deve ser imediato e empírico.
A neutropenia febril em pacientes com Leucemia Mieloide Aguda (LMA) submetidos à indução (como o protocolo Idarrubicina + Citarabina) é uma condição de altíssimo risco. A barreira mucosa intestinal frequentemente está lesada pela quimioterapia, permitindo a translocação bacteriana, principalmente de Gram-negativos como a Pseudomonas aeruginosa, que pode levar ao choque séptico em poucas horas. O manejo exige coleta imediata de hemoculturas (de veia periférica e do cateter, se houver) e urocultura, seguida sem atraso pela administração de antibióticos de amplo espectro. O paciente do caso apresenta neutropenia grave (50 seg/mm³) e febre, enquadrando-se perfeitamente no protocolo de internação e antibioticoterapia venosa imediata.
É definida como uma temperatura oral única > 38,3°C ou > 38,0°C sustentada por mais de uma hora, associada a uma Contagem Absoluta de Neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³, ou uma CAN < 1.000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 nas próximas 48 horas. Em pacientes pós-quimioterapia de indução para LMA, o risco é extremamente alto devido à duração e profundidade da aplasia medular.
A terapia inicial deve ser em regime de monoterapia com um agente beta-lactâmico antipseudomonas. As opções recomendadas pelas diretrizes da IDSA e ASCO incluem Cefepime (cefalosporina de 4ª geração), Piperacilina-Tazobactam ou carbapenêmicos (Meropenem ou Imipenem). A escolha depende do perfil de resistência local da instituição e da estabilidade hemodinâmica do paciente.
A Vancomicina não é recomendada de rotina. Suas indicações específicas incluem: instabilidade hemodinâmica (choque séptico), pneumonia documentada radiologicamente, suspeita de infecção grave de cateter venoso central, infecção de pele ou tecidos moles, ou colonização prévia conhecida por MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina).
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