AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
C.F.A., 58 anos foi admitida no pronto-socorro por hipotensão e sensação de lipotimia. A sintomatologia iniciou-se há aproximadamente 12 horas, de forma insidiosa, mas com rápida progressão. A paciente relatou, inicialmente, uma sensação de calafrios intensos. Paciente nega náuseas, vômitos ou exteriorização de sangramento. A equipe de enfermagem percebeu que a paciente estava confusa, respondendo lentamente às perguntas e parecendo desorientada. A paciente está em vigência de quimioterapia para câncer de ovário metastático sendo seu último ciclo há 10 dias. Ela não faz uso de uso de cateter central. Ao exame físico pressão arterial 85x40 mmHg, frequência cardíaca 125 bpm, frequência respiratória 26 cpm, temperatura 38°C. O hemograma apresenta contagem de neutrófilos de 200/mm³. Em relação ao diagnóstico acima marque a alternativa correta:
DO2 = DC × CaO2 → No choque, a oferta de O2 depende do débito cardíaco e do conteúdo arterial de oxigênio.
A estabilidade hemodinâmica depende do transporte de oxigênio (DO2). No choque séptico por neutropenia febril, a taquicardia compensatória tenta manter o débito cardíaco diante da queda da resistência vascular.
A neutropenia febril é uma das complicações mais graves do tratamento quimioterápico, ocorrendo frequentemente entre o 7º e o 14º dia após o ciclo (nadir). A ausência de resposta inflamatória adequada mascara sinais localizatórios de infecção, tornando a febre, muitas vezes, o único sinal de alerta. O choque séptico associado apresenta um perfil distributivo, onde a disfunção endotelial e mediadores inflamatórios reduzem a resistência vascular sistêmica. A compreensão da fisiologia cardiovascular é crucial para o residente. A equação DO2 = FC × VS × [(Hb × 1,34 × SaO2) + (PaO2 × 0,003)] demonstra que, para otimizar a oferta de oxigênio, o médico deve atuar na volemia (VS), na frequência cardíaca, na hemoglobina e na saturação arterial. O erro na escolha do vasopressor ou o atraso na antibioticoterapia eleva drasticamente a mortalidade nesses pacientes.
A neutropenia febril é definida tecnicamente como uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) inferior a 500 células/mm³ (ou < 1.000 com previsão de queda) associada a um registro de temperatura oral única > 38,3°C ou ≥ 38,0°C sustentada por mais de uma hora. É uma emergência oncológica que exige antibioticoterapia empírica imediata, preferencialmente com agentes antipseudomonas como a cefepima ou piperacilina-tazobactam, devido ao alto risco de translocação bacteriana e evolução rápida para choque séptico.
O transporte de oxigênio (DO2) é o produto do Débito Cardíaco (DC) pelo Conteúdo Arterial de Oxigênio (CaO2). O DC, por sua vez, é o produto da Frequência Cardíaca (FC) pelo Volume Sistólico (VS). No choque distributivo (séptico), ocorre vasodilatação periférica intensa e queda da pré-carga relativa. Para manter o DO2 e evitar a hipóxia tecidual, o organismo aumenta reflexamente a FC (taquicardia) para compensar a queda do VS ou da resistência vascular, tentando manter o DC estável.
O manejo baseia-se no 'Surviving Sepsis Campaign': ressuscitação volêmica agressiva com cristaloides (30 mL/kg) nas primeiras 3 horas, coleta de hemoculturas e início de antibióticos de amplo espectro em até 1 hora. Se a hipotensão persistir após a volemia (choque séptico), deve-se iniciar vasopressores, sendo a noradrenalina a primeira escolha. A monitorização do lactato e da saturação venosa central auxilia na avaliação da eficácia da perfusão tecidual e do balanço entre oferta e consumo de oxigênio.
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