HRD - Hospital Rio Doce - Linhares (ES) — Prova 2020
Um homem de 43 anos, promotor de justiça, residente em Vitória/ES, vai ao pronto atendimento com o relato de febre há 3 horas. É portador de câncer do reto, sem metástases, e recebeu dose de quimioterapia há 8 dias. Não apresenta outras queixas. Nega infecções e internações prévias, e não possui comorbidades. Ao exame físico, está alerta e orientado; as mucosas estão coradas e hidratadas. Os dados vitais são PA: 128 X 78mmHg, FC: 65bpm, FR: 13ipm, SpO₂ 98%. Os exames cardiovascular, respiratório, do abdômen, da cavidade oral e da região perianal não apresentam anormalidades. Foi administrada dose de piperacilina-tazobactam pela via intravenosa enquanto se aguardavam os resultados dos exames. Exames de laboratório (solicitados na urgência): hemoglobina 8,9g/dL; leucócitos 1.870/mm³; neutrófilos segmentados 280/mm³; plaquetas 95.000/mm³; proteína C reativa 46mg/L; creatinina 0,5mg/dL; ureia 15mg/dL; bilirrubina total 0,5mg/dL; exame de urina: sem anormalidades. Radiografia do tórax: sem anormalidades. Considerando o caso clínico apresentado, assinale a conduta MAIS ADEQUADA para esse paciente:
Neutropenia febril de baixo risco (MASCC ≥ 21) → tratamento ambulatorial com ATB oral (fluoroquinolona + amoxicilina-clavulanato).
O paciente apresenta neutropenia febril de baixo risco, conforme o escore MASCC, que permite o tratamento ambulatorial seguro. A combinação de ciprofloxacino (para Gram-negativos, incluindo Pseudomonas) e amoxicilina-clavulanato (para Gram-positivos e anaeróbios) é uma opção oral eficaz para esse perfil de paciente.
A neutropenia febril é uma complicação comum e potencialmente fatal da quimioterapia, caracterizada por febre em um paciente com contagem de neutrófilos abaixo de 500/mm³ (ou < 1000/mm³ com queda prevista para < 500/mm³ nas próximas 48h). Sua importância clínica reside na rápida progressão para sepse e choque, exigindo avaliação e manejo urgentes. A estratificação de risco é crucial para guiar a conduta, diferenciando pacientes de alto e baixo risco. O escore MASCC é a ferramenta mais utilizada para estratificar o risco na neutropenia febril. Pacientes com escore MASCC ≥ 21 são considerados de baixo risco e podem ser candidatos a tratamento ambulatorial com antibióticos orais, desde que não apresentem outros critérios de alto risco. A fisiopatologia envolve a quebra da barreira imunológica devido à mielossupressão induzida pela quimioterapia, tornando o paciente suscetível a infecções bacterianas e fúngicas. O tratamento da neutropenia febril de baixo risco pode ser realizado com antibioticoterapia oral, geralmente uma combinação de fluoroquinolona (como ciprofloxacino) e um beta-lactâmico com inibidor de beta-lactamase (como amoxicilina-clavulanato). O prognóstico é geralmente bom para pacientes de baixo risco que recebem tratamento adequado e precoce, mas a reavaliação constante é fundamental para identificar qualquer deterioração clínica que exija internação e mudança na terapia.
A neutropenia febril de baixo risco é definida por um escore MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer) igual ou superior a 21, ausência de comorbidades significativas, foco infeccioso evidente de baixo risco e estabilidade clínica.
A terapia oral recomendada geralmente inclui uma fluoroquinolona (como ciprofloxacino ou levofloxacino) combinada com amoxicilina-clavulanato, visando cobertura para Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e Gram-positivos.
A internação é mandatória para pacientes com neutropenia febril de alto risco (MASCC < 21), instabilidade hemodinâmica, comorbidades graves, foco infeccioso de alto risco (ex: pneumonia, infecção de cateter), ou sinais de sepse.
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