Neutropenia Febril: Estratificação de Risco e Manejo Ambulatorial

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 50 anos, em tratamento quimioterápico para câncer de mama, procura pronto atendimento por tosse seca há 2 dias, e febre de 39ºC iniciada hoje. Nega sintomas urinários ou gastrointestinais, bem como comorbidades. Sinais vitais normais (exceto por temperatura atual de 38,7ºC). Exame segmentar respiratório, cardíaco, abdominal e da pele não revelam anormalidades. Hemograma colhido na urgência mostra Hb = 9,5 leucócitos = 1.900 (segmentados 25%, bastões 2%) e plaquetas = 90.000. Função hepática e renal normais. Rx tórax normal. Diante desse quadro, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Internação em UTI, colher hemocultura e urocultura, e iniciar antibioticoterapia cobrindo germes gram-positivos e gram-negativos, aeróbios e anaeróbios.
  2. B) Colher hemocultura e urocultura, dar medicamentos sintomáticos e fazer curva térmica nas próximas 24 horas.
  3. C) Hospitalização, coleta de hemocultura e urocultura, e antibioticoterapia com cefalosporina de 3ª geração e macrolídeo por 7 a 14 dias.
  4. D) Por se tratar de quadro de baixo risco, pode ser tratado com amoxicilina+clavulanato e ciprofloxacino oral por internação breve ou mesmo ambulatorialmente.

Pérola Clínica

Neutropenia febril de baixo risco (MASCC ≥ 21) → tratamento ambulatorial com ATB oral.

Resumo-Chave

A paciente apresenta neutropenia febril. No entanto, a ausência de comorbidades significativas, estabilidade hemodinâmica, ausência de foco infeccioso aparente e radiografia de tórax normal a classificam como baixo risco (escore MASCC ≥ 21), permitindo tratamento ambulatorial com antibioticoterapia oral.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação comum e potencialmente fatal da quimioterapia, exigindo avaliação e manejo rápidos. É definida pela presença de febre em um paciente neutropênico. A gravidade e o prognóstico estão diretamente relacionados à profundidade e duração da neutropenia, bem como à presença de comorbidades e foco infeccioso. A estratificação de risco é crucial para guiar a conduta. O escore MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer) é amplamente utilizado para identificar pacientes de baixo risco (escore ≥ 21), que podem ser candidatos a tratamento ambulatorial. Critérios de baixo risco incluem ausência de hipotensão, ausência de doença pulmonar obstrutiva crônica, ausência de infecção fúngica prévia, ausência de desidratação, ausência de sintomas gastrointestinais moderados a graves e status ambulatorial no início da febre. Para pacientes de baixo risco, a conduta mais adequada é a coleta de culturas (hemoculturas, urocultura, etc., conforme a clínica) e o início de antibioticoterapia oral, geralmente com uma fluoroquinolona (como ciprofloxacino) associada a um betalactâmico com inibidor de betalactamase (como amoxicilina/clavulanato), para cobrir um amplo espectro de bactérias gram-positivas e gram-negativas. O tratamento ambulatorial, com acompanhamento rigoroso, é seguro e eficaz nesses casos, evitando os riscos e custos da hospitalização.

Perguntas Frequentes

O que é neutropenia febril e como é definida?

Neutropenia febril é definida como uma única temperatura oral ≥ 38,3°C ou temperatura ≥ 38,0°C por mais de uma hora, associada a uma contagem de neutrófilos < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ nas próximas 48 horas.

Quais critérios classificam um paciente com neutropenia febril como de baixo risco?

Pacientes de baixo risco geralmente têm escore MASCC ≥ 21, ausência de comorbidades significativas, estabilidade hemodinâmica, ausência de foco infeccioso evidente, função hepática e renal normais, e boa performance status.

Qual a antibioticoterapia oral recomendada para neutropenia febril de baixo risco?

Para pacientes de baixo risco, a antibioticoterapia oral pode incluir uma fluoroquinolona (como ciprofloxacino ou levofloxacino) combinada com amoxicilina/clavulanato, para cobrir germes gram-positivos e gram-negativos.

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