Neutropenia Febril: Quando Iniciar Vancomicina?

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 43 anos tem diagnóstico de linfoma de Burkitt e iniciou tratamento quimioterápico. Apresentou febre de 39,0 ºC no 7o dia após o tratamento. É correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) O uso do estimulador de crescimento de granulócitos deve ser sempre introduzido, visto que diminui mortalidade na neutropenia febril.
  2. B) Se deve considerar a introdução de vancomicina nos casos de choque séptico, sepse de foco cutâneo e infecção relacionado ao cateter.
  3. C) Se deve realizar coleta de hemocultura de cateter de longa permanência, apenas se houve sinais de infecção local.
  4. D) Os pacientes com MASCC escore de moderado risco podem ser sempre tratados em regime domiciliar.

Pérola Clínica

Neutropenia febril + Choque ou foco cutâneo → Associar Vancomicina precocemente.

Resumo-Chave

A cobertura para Gram-positivos com glicopeptídeos (vancomicina) não é rotina na neutropenia febril, sendo reservada para instabilidade hemodinâmica, suspeita de infecção de cateter ou pele.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma emergência oncológica definida como temperatura única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por mais de uma hora em paciente com neutrófilos < 500/mm³. O tratamento inicial padrão é a monoterapia com beta-lactâmico antipseudomonal (ex: Cefepime ou Piperacilina/Tazobactam). A coleta de hemoculturas deve ser feita de veia periférica e de cada lúmen do cateter central, independentemente de sinais inflamatórios locais, pois a ausência de neutrófilos pode mascarar sinais clássicos de infecção no sítio de inserção.

Perguntas Frequentes

Quais as indicações formais de Vancomicina na neutropenia febril?

As principais indicações para adicionar vancomicina (ou outro agente contra Gram-positivos resistentes) ao esquema inicial de neutropenia febril são: instabilidade hemodinâmica ou choque séptico, infecção clinicamente evidente relacionada ao cateter venoso central, infecção de pele ou tecidos moles, pneumonia documentada radiologicamente e colonização prévia conhecida por MRSA ou pneumococo resistente a penicilina.

O que é o escore MASCC e como ele orienta o tratamento?

O escore MASCC (Multinational Association for Supportive Care in Cancer) é uma ferramenta de triagem para identificar pacientes com neutropenia febril de baixo risco de complicações. Pontuações ≥ 21 indicam baixo risco. Pacientes de baixo risco podem, em casos selecionados, ser tratados com antibióticos orais (ex: Ciprofloxacino + Amoxicilina/Clavulanato) e em regime domiciliar, desde que tenham suporte social e estabilidade clínica.

O G-CSF deve ser usado em todos os casos de neutropenia febril?

Não. O uso de fatores estimuladores de colônias de granulócitos (G-CSF) como tratamento adjunto na neutropenia febril estabelecida não reduz a mortalidade geral. Ele é indicado apenas em pacientes com fatores de alto risco para complicações, como sepse grave, pneumonia, idade > 65 anos ou neutropenia profunda e prolongada (> 10 dias esperados).

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