Neutropenia Febril: Diagnóstico e Manejo Urgente

HSLRP - Hospital São Luiz Rede D'Or Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 51 anos, em tratamento de câncer de mama, recebeu quimioterapia há 7 dias, e apresenta-se em PS com febre de 38º C sem outros sintomas. Exame físico sem sinais de infecção ativa. Colhido hemograma, com neutrófilos de 450/mm3. A respeito do quadro, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Como exame físico sem sinais infecciosos, não há necessidade de iniciar antibioticoterapia, mantendo-se observação de sinais de alarme.
  2. B) Deve-se iniciar antibioticoterapia ambulatorial, por no mínimo uma semana.
  3. C) Deve-se internar e manter observação clínica e prosseguir investigação de foco infeccioso com exames complementares, sem necessidade de antibioticoterapia no momento.
  4. D) Deve-se internar e iniciar antibioticoterapia até resolução da febre e da neutropenia.
  5. E) Deve-se iniciar antibioticoterapia tripla, mantendo-se por no mínimo sete dias.

Pérola Clínica

Neutropenia febril (neutrófilos < 500/mm³ + febre ≥ 38,3°C ou ≥ 38°C por 1h) → URGÊNCIA médica, internação e ATB empírico IV.

Resumo-Chave

Neutropenia febril é uma emergência oncológica que exige internação imediata e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, preferencialmente intravenosa, cobrindo Gram-negativos (especialmente Pseudomonas aeruginosa). A ausência de foco infeccioso aparente não exclui a necessidade de tratamento, devido ao alto risco de sepse e mortalidade.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e comum da quimioterapia mielossupressora, representando uma emergência médica. É definida pela presença de febre em um paciente com contagem de neutrófilos abaixo de 500/mm³ (ou com previsão de queda). A incidência varia conforme o tipo de câncer e o regime quimioterápico, mas a mortalidade pode ser alta se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a supressão da medula óssea pela quimioterapia, resultando em deficiência de neutrófilos, a primeira linha de defesa contra infecções bacterianas e fúngicas. A febre é frequentemente o único sinal de infecção, pois a resposta inflamatória pode estar atenuada. O diagnóstico é clínico-laboratorial, e a busca por um foco infeccioso é importante, mas não deve atrasar o tratamento. A conduta padrão para neutropenia febril é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos (especialmente Pseudomonas aeruginosa) e, dependendo do risco e achados, Gram-positivos. O tratamento deve ser mantido até a resolução da febre e da neutropenia, ou até que um foco infeccioso seja identificado e tratado especificamente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para neutropenia febril?

Neutropenia febril é definida pela presença de febre (temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por pelo menos uma hora) em um paciente com neutropenia (contagem de neutrófilos < 500/mm³ ou < 1000/mm³ com previsão de queda para < 500/mm³).

Por que a antibioticoterapia empírica é crucial na neutropenia febril, mesmo sem foco infeccioso aparente?

Pacientes neutropênicos têm um sistema imunológico comprometido, o que os torna altamente suscetíveis a infecções graves e rapidamente progressivas. A febre pode ser o único sinal de uma bacteremia, e o atraso no início do antibiótico aumenta significativamente a morbimortalidade.

Qual o principal patógeno a ser coberto na antibioticoterapia empírica para neutropenia febril?

O principal patógeno a ser coberto é a Pseudomonas aeruginosa, um Gram-negativo com alta virulência e resistência. Por isso, esquemas com cefepime, piperacilina-tazobactam ou meropenem são frequentemente utilizados.

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