Neutropenia Febril: Manejo Urgente em Oncologia

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Sandra, 56 anos, diagnosticada com câncer de mama, está em tratamento quimioterápico adjuvante que iniciou há algumas semanas. Está em acompanhamento com o serviço de oncologia, que solicitou hemograma para acompanhar possíveis efeitos adversos do tratamento. Veio hoje porque sua consulta será só daqui há 2 semanas e está preocupada com o início de episódios febris desde ontem, sem outros sintomas. Ao exame físico está febril, sem outras alterações. Hemograma com anemia normocítica e normocrômica, leucopenia com neutropenia em 450/mm3 e plaquetopenia. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Tranquilizar a paciente sobre as alterações laboratoriais esperadas e solicitar retorno em 48 horas para reavaliação do quadro clínico.
  2. B) Informar a paciente sobre as alterações laboratoriais esperadas, iniciar antibioticoterapia e solicitar retorno em 48 horas para reavaliação do quadro clínico.
  3. C) Tranquilizar a paciente que as alterações laboratoriais são efeitos adversos do tratamento e que não deve se preocupar.
  4. D) Informar a paciente que serão necessários novos exames e encaminhá-la imediatamente para um serviço de emergência hospitalar.

Pérola Clínica

Paciente oncológico em quimioterapia + febre + neutropenia (<500/mm³) = Neutropenia Febril → EMERGÊNCIA, hospitalizar e iniciar ATB IV.

Resumo-Chave

A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal da quimioterapia, exigindo reconhecimento e manejo imediatos. Qualquer paciente oncológico em quimioterapia que apresente febre e neutropenia deve ser encaminhado urgentemente a um serviço de emergência para avaliação, coleta de culturas e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, visando prevenir a progressão para sepse.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma das complicações mais sérias e potencialmente fatais da quimioterapia citotóxica, representando uma verdadeira emergência oncológica. Ela ocorre devido à mielossupressão induzida pelos quimioterápicos, que leva a uma redução significativa na contagem de neutrófilos, comprometendo a capacidade do paciente de combater infecções. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para a sobrevida do paciente. O diagnóstico é estabelecido pela presença de febre em um paciente com neutropenia. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana da mucosa gastrointestinal ou de outras superfícies, aproveitando a deficiência imunológica. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente oncológico em quimioterapia que apresente febre, mesmo sem outros sintomas localizatórios, pois a ausência de neutrófilos pode mascarar os sinais clássicos de inflamação. O tratamento da neutropenia febril exige hospitalização imediata. A conduta padrão inclui a coleta de culturas (hemoculturas são mandatórias) e o início empírico de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro, que deve cobrir bactérias Gram-negativas (especialmente Pseudomonas aeruginosa) e Gram-positivas. A escolha do antibiótico inicial pode ser guiada pelo risco do paciente (baixo ou alto risco, conforme escores como MASCC) e pelo perfil epidemiológico local.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para neutropenia febril?

Neutropenia febril é definida pela presença de febre (temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por mais de uma hora) em um paciente com neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³ ou < 1000/mm³ com expectativa de queda para < 500/mm³ em 48 horas).

Por que a neutropenia febril é considerada uma emergência médica?

É uma emergência devido ao risco elevado de infecções graves e rapidamente progressivas que podem levar a sepse, choque séptico e morte em pacientes imunocomprometidos pela quimioterapia, necessitando de intervenção imediata para salvar vidas.

Qual a conduta inicial para um paciente com neutropenia febril?

A conduta inicial inclui hospitalização imediata, coleta de hemoculturas e outras culturas conforme a suspeita clínica, e início rápido de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo gram-positivos e gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa.

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