Neutropenia Febril: Manejo Urgente e Antibioticoterapia

HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente com diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda foi submetido à quimioterapia e deu entrada na emergência 10 dias após o início do tratamento com quadro de febre e hemograma com 300 leucócitos totais. Indique a conduta apropriada:

Alternativas

  1. A) Pesquisar foco infeccioso para definição do antibiótico adequado.
  2. B) Prescrever amoxicilina ambulatorial.
  3. C) Internar e observar se apresenta instabilidade hemodinâmica.
  4. D) Colher hemoculturas e iniciar imediatamente cefepime empírico.
  5. E) Internar, colher hemoculturas e aguardar teste de sensibilidade (T SA).

Pérola Clínica

Neutropenia febril pós-quimioterapia → Colher hemoculturas + Iniciar Cefepime empírico IMEDIATAMENTE.

Resumo-Chave

A neutropenia febril é uma emergência oncológica que exige início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, após coleta de culturas. A febre em um paciente neutropênico é considerada de origem infecciosa até prova em contrário, e o atraso no tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade. Cefepime é uma escolha comum devido à sua cobertura para Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal da quimioterapia mielossupressora, especialmente em pacientes com leucemias agudas. É definida pela presença de febre em um paciente com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) abaixo de 500 células/mm³ ou com expectativa de queda para esse nível. A febre é frequentemente o único sinal de infecção em pacientes neutropênicos, e a ausência de neutrófilos impede a formação de pus ou outros sinais inflamatórios típicos. O manejo da neutropenia febril é uma emergência médica. A conduta inicial envolve a coleta de culturas (pelo menos duas hemoculturas, uma de acesso central e outra periférica, além de culturas de outros sítios suspeitos) e o início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro. O atraso no início dos antibióticos por mais de uma hora está associado a um aumento significativo da morbimortalidade. A escolha do antibiótico empírico deve cobrir bactérias Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa, e Gram-positivas. Cefepime, piperacilina-tazobactam, meropenem e imipenem são opções comuns. A terapia deve ser ajustada com base nos resultados das culturas e na evolução clínica do paciente. Residentes devem estar aptos a reconhecer e manejar prontamente a neutropenia febril para otimizar o prognóstico desses pacientes vulneráveis.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de neutropenia febril e por que é uma emergência?

Neutropenia febril é definida como uma única temperatura oral ≥ 38,3°C ou temperatura ≥ 38,0°C por mais de uma hora, em um paciente com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500. É uma emergência devido ao alto risco de infecções graves e sepse com rápida progressão para óbito.

Qual a antibioticoterapia empírica inicial recomendada para neutropenia febril de alto risco?

Para pacientes com neutropenia febril de alto risco, a antibioticoterapia empírica inicial recomendada inclui um beta-lactâmico de amplo espectro com atividade antipseudomonas, como cefepime, piperacilina-tazobactam, meropenem ou imipenem. A escolha depende da epidemiologia local e do perfil de resistência.

Por que é crucial colher hemoculturas antes de iniciar os antibióticos na neutropenia febril?

A coleta de hemoculturas (e outras culturas relevantes) antes do início dos antibióticos é fundamental para identificar o agente etiológico e permitir o ajuste da terapia antimicrobiana para um espectro mais estreito, otimizando o tratamento e reduzindo a resistência bacteriana.

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