UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Em relação à neutropenia grave decorrente de quimioterapia antineoplásica, é correto afirmar que
Neutropenia grave → manifestações infecciosas atípicas/pobres devido à ausência de infiltrado inflamatório.
Em pacientes com neutropenia grave, a capacidade de formar um infiltrado inflamatório robusto é comprometida pela baixa contagem de neutrófilos. Isso resulta em sinais e sintomas de infecção menos evidentes, exigindo alta suspeição clínica e investigação precoce, mesmo com queixas sutis.
A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal da quimioterapia antineoplásica, definida pela presença de febre em um paciente com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) inferior a 500 células/mm³ ou com previsão de queda para esse nível em 48 horas. Sua incidência varia conforme o regime quimioterápico e a doença de base, sendo uma das principais causas de hospitalização e mortalidade em pacientes oncológicos. O reconhecimento e manejo rápidos são essenciais para otimizar o prognóstico. A fisiopatologia da neutropenia febril envolve a supressão da medula óssea pela quimioterapia, resultando na diminuição da produção de neutrófilos, que são a primeira linha de defesa contra infecções bacterianas e fúngicas. Devido à escassez dessas células, a resposta inflamatória a uma infecção pode ser atenuada, levando a manifestações clínicas "pobres" ou atípicas. A febre pode ser o único sinal de infecção grave, e a ausência de sinais inflamatórios clássicos não afasta a presença de um foco infeccioso. O tratamento da neutropenia febril é uma emergência médica. A conduta inicial inclui a coleta de culturas (hemoculturas, uroculturas, culturas de sítios suspeitos) e o início empírico imediato de antibióticos de largo espectro, cobrindo Gram-positivos e Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa, antes mesmo dos resultados das culturas. A profilaxia antibiótica não é universalmente recomendada e a transfusão de leucócitos tem indicações muito restritas. A ausência de febre não afasta o risco de complicações graves, especialmente em pacientes imunocomprometidos.
Em pacientes neutropênicos, os sinais clássicos de inflamação podem ser ausentes ou muito sutis, como febre isolada, calafrios, mal-estar ou dor localizada leve, devido à incapacidade de formar um infiltrado inflamatório adequado.
A transfusão de concentrados de leucócitos não é uma prática clínica rotineira devido à sua baixa eficácia, alto custo, curta meia-vida dos leucócitos transfundidos e riscos significativos, como reações transfusionais e transmissão de infecções.
O início imediato de antibióticos de largo espectro é crucial na neutropenia febril, mesmo antes dos resultados das culturas, para cobrir potenciais patógenos bacterianos e prevenir a progressão rápida para sepse e choque séptico, que têm alta mortalidade.
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