Neutropenia Febril: Manejo da Febre Persistente

ISMEP - Instituto de Saúde e Medicina de Brasília (DF) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 40 anos de idade, com diagnóstico de leucemia mieloide aguda e neutropenia, apresenta quadro de febre de 39 ºC, em uso de esquema antimicrobiano constituído por vancomicina e carbapenêmico há cinco dias. O exame físico não mostra evidência clínica que justifique a persistência da febre, e o hemograma realizado tem resultado semelhante ao feito quando do início do tratamento do paciente. Assinale a alternativa que indica a medida mais adequada nesse caso.

Alternativas

  1. A) Suspender o esquema antimicrobiano.
  2. B) Realizar uma punção liquórica.
  3. C) Acrescentar um fármaco antifúngico ao esquema prescrito.
  4. D) Solicitar uma transfusão de sangue.
  5. E) Indicar o transplante de medula.

Pérola Clínica

Neutropenia febril + febre persistente > 5 dias com ATB de amplo espectro → considerar infecção fúngica invasiva.

Resumo-Chave

Em pacientes neutropênicos febris com febre persistente após 4-7 dias de antibioticoterapia de amplo espectro, a principal preocupação é a infecção fúngica invasiva. Nesses casos, a adição de um antifúngico empírico é a conduta mais adequada, mesmo sem foco clínico evidente.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma emergência oncológica comum, definida como febre em um paciente com contagem de neutrófilos inferior a 500/mm³ (ou <1000/mm³ com previsão de queda para <500/mm³ em 48h). É uma condição de alta morbimortalidade, especialmente em pacientes com neoplasias hematológicas como a leucemia mieloide aguda, devido ao risco de infecções graves e rapidamente progressivas. O manejo inicial envolve antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa. A persistência da febre após 4 a 7 dias de antibioticoterapia adequada, sem um foco infeccioso bacteriano identificado, é um cenário clínico desafiador. Nesses casos, a principal suspeita é de infecção fúngica invasiva, que pode ser causada por leveduras (Candida spp.) ou fungos filamentosos (Aspergillus spp.). A fisiopatologia envolve a profunda imunossupressão e a ruptura de barreiras mucosas e cutâneas, facilitando a translocação de fungos comensais ou a inalação de esporos. O diagnóstico definitivo é difícil e demorado, tornando a terapia antifúngica empírica uma medida crucial para melhorar o prognóstico. A conduta mais indicada é a adição de um antifúngico sistêmico ao esquema terapêutico. As equinocandinas são frequentemente preferidas devido ao seu bom perfil de segurança e eficácia contra Candida spp., enquanto a anfotericina B lipossomal é uma alternativa eficaz, especialmente em casos de suspeita de Aspergillus ou falha de outras terapias. É fundamental monitorar a função renal e hepática, além de considerar a possibilidade de resistência antimicrobiana ou outras causas não infecciosas da febre.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de febre persistente na neutropenia febril?

As principais causas incluem infecções bacterianas resistentes, infecções fúngicas invasivas (especialmente por Candida ou Aspergillus), infecções virais, reações medicamentosas e a própria doença de base.

Quando se deve iniciar a terapia antifúngica empírica em pacientes neutropênicos febris?

A terapia antifúngica empírica é indicada para pacientes com neutropenia febril que permanecem febris após 4 a 7 dias de antibioticoterapia de amplo espectro, sem um foco infeccioso bacteriano claro.

Quais antifúngicos são comumente usados na terapia empírica para neutropenia febril?

Os antifúngicos mais utilizados incluem equinocandinas (caspofungina, micafungina, anidulafungina) ou anfotericina B lipossomal, dependendo do perfil de risco do paciente e da epidemiologia local.

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