FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Chega ao departamento de emergência pediátrica, paciente de 8 anos, sexo masculino relato de febre e calafrios. Paciente portador de leucemia mieloide aguda em tratamento quimioterápico, tendo recebido a última dose há 4 dias. Ele é levado para sala de emergência, onde é monitorizado e puncionado acesso venoso periférico. Apresenta os seguintes sinais vitais: FC: 155 bpm FR: 32 ipm SatO₂: 96% ar ambiente T: 37,6 graus PA: 72 ×45 mmHg. Sobre o manejo deste paciente assinale a alternativa correta:
Febre + Risco de Neutropenia + Instabilidade = Antibiótico de amplo espectro imediato (anti-pseudomonas + considerar Gram+).
A neutropenia febril em pacientes oncológicos é uma emergência médica. Em casos de instabilidade hemodinâmica ou suspeita de infecção de pele/cateter, a cobertura deve ser ampliada precocemente.
A neutropenia febril é uma das complicações mais graves do tratamento oncológico pediátrico. O tempo para a primeira dose de antibiótico (time-to-antibiotic) é um indicador de qualidade e sobrevida, idealmente devendo ocorrer em menos de 60 minutos da chegada ao hospital. No paciente apresentado, a hipotensão (PA 72x45) e taquicardia indicam choque séptico. Nestes cenários, a cobertura empírica deve ser máxima. Embora Gram-negativos como Pseudomonas aeruginosa sejam historicamente os mais temidos pela rápida progressão para o óbito, os Gram-positivos (Staphylococcus aureus, Coagulase-negativos) são isolados com frequência, especialmente em pacientes com cateteres venosos centrais de longa permanência.
A neutropenia febril é definida como uma temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C mantida por mais de uma hora, em um paciente com Contagem Absoluta de Neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou CAN < 1.000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 nas próximas 48 horas. Em pacientes pós-quimioterapia recente, como no caso da LMA, o risco é altíssimo, e qualquer febre deve ser tratada como neutropenia febril até prova em contrário.
A terapia inicial deve ser uma monoterapia com um agente beta-lactâmico antipseudomônico (como Cefepime, Piperacilina-Tazobactam ou Carbapenêmico). A escolha depende do perfil de resistência local. A adição de um segundo agente (como aminoglicosídeo) ou cobertura para Gram-positivos (Vancomicina) é reservada para pacientes com instabilidade hemodinâmica, suspeita de infecção de cateter, pneumonia ou infecção de tecidos moles.
A Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e seu tratamento quimioterápico são altamente mielotóxicos, causando períodos prolongados e profundos de neutropenia. Além disso, a própria doença compromete a função dos glóbulos brancos. A quebra de barreiras mucosas (mucosite) pela quimioterapia facilita a translocação bacteriana da flora endógena, tornando esses pacientes vulneráveis a bacteremias por Gram-negativos e Gram-positivos.
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