Neutropenia Febril Oncológica: Manejo e Conduta Inicial

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 32 anos de idade realizou quimioterapia de consolidação para leucemia linfoblástica aguda (LLA) com altas doses de metotrexato e citarabina há 7 dias. Procurou pronto atendimento do hospital escola relatando febre aferida de 38,4°C, negava qualquer sinal ou sintoma infeccioso. O hemograma solicitado na urgência revelou 300 neutrófilos/mm³. Neste caso, qual é a conduta a ser utilizada?

Alternativas

  1. A) colher hemoculturas e exames de bioquímica e orientar o paciente a retornar em 12 horas para reavaliação já que está sem foco infeccioso identificável. 
  2. B) colher hemoculturas e exames de bioquímica e iniciar amoxicilina por via oral e reavaliar em o paciente em 24 horas. 
  3. C) internar o paciente e após coleta de hemoculturas e exames gerais, e iniciar antibioticoterapia parenteral de amplo espectro com droga que tenha ação antipseudomonas. 
  4. D)  internar paciente e após coleta de hemoculturas e iniciar ceftriaxona caso haja evidencia de bactéria resistente escalonar antibioticoterapia posteriormente.

Pérola Clínica

Neutropenia febril em paciente oncológico → internação, hemoculturas e ATB parenteral de amplo espectro com cobertura antipseudomonas.

Resumo-Chave

A neutropenia febril é uma emergência oncológica que exige início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, preferencialmente com cobertura antipseudomonas, após coleta de culturas. O atraso no tratamento aumenta significativamente a morbimortalidade.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma das emergências oncológicas mais comuns e potencialmente fatais, caracterizada pela presença de febre em um paciente com neutropenia grave, geralmente decorrente de quimioterapia mielossupressora. A incidência varia conforme o tipo de câncer, regime quimioterápico e fatores do paciente, mas é uma complicação frequente em leucemias agudas. O reconhecimento precoce e a intervenção imediata são cruciais para reduzir a morbimortalidade. A fisiopatologia envolve a perda da barreira de defesa primária contra patógenos devido à baixa contagem de neutrófilos, tornando o paciente suscetível a infecções bacterianas e fúngicas, muitas vezes de origem endógena. O diagnóstico é clínico, com febre e neutropenia, mesmo na ausência de um foco infeccioso aparente. A suspeita deve ser alta em qualquer paciente oncológico em quimioterapia que apresente febre. A conduta padrão inclui internação hospitalar, coleta de hemoculturas e outras culturas conforme a suspeita clínica, e início imediato de antibioticoterapia empírica parenteral de amplo espectro, com cobertura obrigatória para Pseudomonas aeruginosa. A escolha do antibiótico pode ser ajustada com base nos resultados das culturas e na evolução clínica. O prognóstico depende da rapidez do início do tratamento e da identificação e controle da fonte infecciosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para neutropenia febril?

Neutropenia febril é definida como uma temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por mais de uma hora, associada a uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou uma CAN < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ em 48 horas.

Qual a antibioticoterapia empírica inicial recomendada para neutropenia febril?

A terapia inicial deve ser um antibiótico parenteral de amplo espectro com atividade antipseudomonas, como cefepime, piperacilina-tazobactam, meropenem ou imipenem-cilastatina, iniciado imediatamente após a coleta de culturas.

Por que a neutropenia febril é considerada uma emergência oncológica?

Pacientes neutropênicos têm uma capacidade limitada de montar uma resposta inflamatória, o que pode mascarar infecções graves e levar rapidamente a sepse e choque séptico se não tratadas prontamente.

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