Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2023
Mulher de 65 anos apresenta febre, tosse produtiva escarro amarelado dor ventilatóriodependente no hemitórax direito há 1 dia. É portadora de câncer de mama e está em tratamento quimioterápico (doxorrubicina, ciclofosfamida e paclitaxel), tendo recebido uma dose há 8 dias. Nega e internações recentes ou uso de antimicrobianos. Ao exame físico, PA: 130x86mmHg, FC: 88bpm, FR: 18ipm. SpO2 98% (aa), Tax: 38,3°C. A ausculta respiratória revela crepitações grosseiras na base do hemitórax direito. Foram coletadas amostras de sangue para exames de laboratório e hemoculturas, e solicitados Rx de tórax e exame de urina. Foi prescrita dipirona. Assinale a alternativa que apresenta a conduta imediata MAIS adequada.
Paciente oncológico em quimioterapia com febre e sintomas respiratórios → suspeitar neutropenia febril com pneumonia, iniciar ATB empírico de amplo espectro.
Pacientes oncológicos em quimioterapia recente têm alto risco de neutropenia febril, uma emergência médica. A presença de sintomas respiratórios indica pneumonia, exigindo antibioticoterapia empírica imediata de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos (incluindo Pseudomonas), Gram-positivos e atípicos, antes mesmo dos resultados de exames.
A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal da quimioterapia mielossupressora, caracterizada por febre em um paciente com baixa contagem de neutrófilos. A epidemiologia mostra que é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes oncológicos. A importância clínica reside na necessidade de reconhecimento e tratamento imediatos, pois o atraso na antibioticoterapia está associado a piores desfechos. A fisiopatologia envolve a supressão da medula óssea pela quimioterapia, levando à neutropenia e comprometimento da resposta imune. A presença de sintomas respiratórios, como tosse e crepitações, sugere pneumonia, uma infecção comum e grave nesse contexto. O diagnóstico é clínico, baseado na febre e na suspeita de neutropenia (confirmada por hemograma), e a investigação deve incluir hemoculturas e radiografia de tórax, mas o tratamento não deve ser postergado. O tratamento da neutropenia febril com foco em pneumonia exige antibioticoterapia empírica de amplo espectro, iniciada o mais rápido possível. A escolha dos antibióticos deve cobrir patógenos Gram-negativos (especialmente Pseudomonas aeruginosa), Gram-positivos e, em alguns casos, atípicos. A combinação de piperacilina-tazobactam com azitromicina é uma opção robusta. O prognóstico melhora significativamente com o início precoce do tratamento, e pontos de atenção incluem a monitorização rigorosa e o ajuste da terapia conforme os resultados microbiológicos.
Neutropenia febril é definida como uma única temperatura oral ≥ 38,3°C ou temperatura ≥ 38,0°C por mais de uma hora, associada a uma contagem de neutrófilos < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ nas próximas 48 horas.
A conduta inicial é a administração imediata de antibióticos empíricos de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos (incluindo Pseudomonas aeruginosa) e Gram-positivos. A adição de cobertura para atípicos pode ser considerada dependendo do quadro clínico e epidemiologia.
A quimioterapia mielossupressora suprime a medula óssea, resultando em neutropenia, que é a redução dos neutrófilos, células essenciais na defesa contra infecções bacterianas e fúngicas, tornando o paciente altamente vulnerável.
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