Neutropenia Febril: Tratamento Empírico e Choque Séptico

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 35 anos, diabética, em tratamento para Leucemia mielóide aguda, com término de último ciclo de Quimioterapia há 5 dias. Há 1 dia passou a apresentar febre, prostração, hiporexia, mialgia. Pressão arterial 85x50mmHg. Exames laboratoriais: Ureia 45; creat 1,2 ; sódio 138; potássio 4,5; Hb 9,1; Ht 28; GB 700 (Seg 60%). Paciente afebril. Dentre os esquemas antimicrobianos a seguir, assinale a alternativa que apresenta o tratamento adequado para este caso:

Alternativas

  1. A) Amicacina.
  2. B) Anfotericina.
  3. C) Ceftriaxona.
  4. D) Ciprofloxacino + Clindamicina.
  5. E) Cefepime + Vancomicina.

Pérola Clínica

Neutropenia febril com instabilidade hemodinâmica → Cefepime + Vancomicina (cobertura Gram-negativos, Pseudomonas e Gram-positivos resistentes).

Resumo-Chave

A paciente apresenta neutropenia febril com sinais de choque séptico (hipotensão). O tratamento empírico inicial deve ser de amplo espectro, cobrindo Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e Gram-positivos resistentes, sendo Cefepime + Vancomicina a combinação ideal.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e comum em pacientes submetidos à quimioterapia, como a paciente com Leucemia Mieloide Aguda. É definida pela presença de febre em um paciente com contagem de neutrófilos abaixo de 500/mm³ (ou com expectativa de queda para esse nível). Representa uma emergência médica, pois a ausência de neutrófilos compromete a resposta imune, levando a um risco elevado de infecções fulminantes e sepse. Neste caso, a paciente apresenta neutropenia febril com sinais de instabilidade hemodinâmica (hipotensão), indicando choque séptico. O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente, antes mesmo da identificação do patógeno, e deve ter amplo espectro para cobrir os principais agentes etiológicos. A escolha do antibiótico deve considerar a epidemiologia local, o perfil de resistência e os fatores de risco do paciente. A combinação de Cefepime (uma cefalosporina de 4ª geração) e Vancomicina é uma escolha robusta para pacientes com neutropenia febril e instabilidade hemodinâmica. O Cefepime oferece excelente cobertura para bactérias Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa, um patógeno comum e agressivo em imunocomprometidos. A Vancomicina é adicionada para cobrir bactérias Gram-positivas resistentes, como Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), que é uma preocupação em pacientes com cateteres, mucosite ou sinais de sepse grave.

Perguntas Frequentes

O que define neutropenia febril e qual sua importância clínica?

É definida por febre (temperatura oral única ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por 1 hora) e neutropenia (neutrófilos < 500/mm³ ou < 1000/mm³ com expectativa de queda). É uma emergência médica devido ao alto risco de infecção grave e sepse.

Por que a combinação Cefepime + Vancomicina é adequada para este caso?

O Cefepime é uma cefalosporina de 4ª geração com excelente cobertura para Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa. A Vancomicina é adicionada para cobrir Gram-positivos resistentes, como S. aureus resistente à meticilina (MRSA), especialmente em pacientes com instabilidade hemodinâmica ou fatores de risco para MRSA.

Quais são os principais patógenos a serem cobertos na neutropenia febril?

Os principais patógenos são bactérias Gram-negativas (especialmente Pseudomonas aeruginosa) e Gram-positivas (Staphylococcus aureus, incluindo MRSA, e Streptococcus spp.). A cobertura fúngica pode ser considerada se a febre persistir após 4-7 dias de antibioticoterapia.

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