Neutropenia Febril: Manejo Urgente com Antibioticoterapia

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 52 anos apresenta febre de 38,5 ºC há 2 dias. AP: linfoma difuso de grandes células B, com 1º ciclo de quimioterapia há 8 dias. Exame físico: FC: 112 bpm, FR: 22 irpm, PA: 120 x 80 mmHg e desidratada +/4+.Deve-se

Alternativas

  1. A) monitorizar clinicamente, já que a paciente está estável; não é necessário coletar exames e pode-se dar alta com antibioticoterapia empírica.
  2. B) coletar hemograma devido à possibilidade de neutropenia febril e, se confirmar o diagnóstico, introduzir antibiótico.
  3. C) iniciar antibioticoterapia de amplo espectro com cobertura para Pseudomonas na admissão.
  4. D) monitorizar clinicamente, já que a paciente está estável; não é necessário coletar exames e pode-se dar alta com uso de antitérmico.

Pérola Clínica

Neutropenia febril em paciente oncológico → ATB de amplo espectro com cobertura para Pseudomonas IMEDIATAMENTE.

Resumo-Chave

Pacientes oncológicos em quimioterapia que desenvolvem febre e neutropenia (neutropenia febril) são considerados uma emergência médica. O risco de sepse e morte é alto, e a conduta essencial é iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro, com cobertura para bactérias Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa, imediatamente após a coleta de culturas, sem aguardar resultados.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal da quimioterapia mielossupressora, sendo uma emergência médica que exige reconhecimento e tratamento imediatos. Pacientes oncológicos, como a mulher de 52 anos com linfoma em quimioterapia, são particularmente vulneráveis a infecções devido à supressão da medula óssea, que resulta em uma contagem reduzida de neutrófilos, a principal linha de defesa contra bactérias. Residentes devem estar aptos a identificar e manejar essa condição prontamente. A fisiopatologia envolve a translocação bacteriana da flora endógena (gastrointestinal, pele, orofaringe) para a corrente sanguínea, aproveitando a barreira imunológica comprometida. A febre é frequentemente o único sinal de infecção grave, e a ausência de sinais inflamatórios clássicos (devido à neutropenia) pode mascarar a gravidade do quadro. O atraso no início da antibioticoterapia está diretamente correlacionado com o aumento da morbimortalidade. A conduta padrão ouro para a neutropenia febril é a administração imediata de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, após a coleta de culturas (hemoculturas, uroculturas, etc.), sem aguardar os resultados. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais comuns, incluindo bactérias Gram-negativas, com ênfase na Pseudomonas aeruginosa, devido à sua virulência e prevalência em pacientes imunocomprometidos. Monoterapias com beta-lactâmicos anti-pseudomonas (ex: cefepime, piperacilina-tazobactam) são frequentemente a primeira linha, podendo ser ajustadas conforme a estratificação de risco do paciente e os resultados das culturas.

Perguntas Frequentes

O que define neutropenia febril em pacientes oncológicos?

Neutropenia febril é definida como uma temperatura oral única ≥ 38,3 °C ou ≥ 38,0 °C por mais de uma hora, associada a uma contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou uma CAN < 1.000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ nas próximas 48 horas.

Por que a cobertura para Pseudomonas aeruginosa é crucial na antibioticoterapia empírica da neutropenia febril?

Pseudomonas aeruginosa é um patógeno Gram-negativo comum e virulento em pacientes neutropênicos, associado a altas taxas de morbidade e mortalidade. A cobertura empírica é vital para prevenir infecções graves e sepse.

Quais são os principais antibióticos recomendados para o tratamento inicial da neutropenia febril de alto risco?

Para pacientes de alto risco, recomenda-se monoterapia com um beta-lactâmico anti-pseudomonas, como cefepime, piperacilina-tazobactam, meropenem ou imipenem. A adição de vancomicina pode ser considerada em casos específicos de suspeita de infecção por Gram-positivos resistentes.

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