Neutropenia Febril: Escolha da Antibioticoterapia Empírica

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Paulo, cinco anos de idade, com primo diagnóstico de leucemia linfoide aguda, iniciou febre (39,2° () associada a queixa de dor abdominal, cerca de 15 dias após fase de indução de quimioterapia. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, hidratado, hipocorado leve, pulsos cheios. FC:92bpm, PA: 98x70mmHg, FR:22irpm, sem esforço, sons pulmonares fisiológicos, sem lesões de pele. Exames laboratoriais: Hb: 8g/dL; Htc:24%; Plaquetas: 70.000/mm³; Leucócitos global: 280/mm³ (segmentados: 80/mm3; eosinófilos: 50/mm3; monócitos:50/mm3; linfócitos:100/mm³); Proteína C Reativa:200mg/L; Hemocultura em andamento. De acordo com este caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a antibioticoterapia de escolha para o tratamento empírico:

Alternativas

  1. A) Ampicilina e amicacina
  2. B) Cefepime
  3. C) Cefepime e vancomicina
  4. D) Ciprofloxacino

Pérola Clínica

Neutropenia febril de alto risco (LLA, PCR ↑) → Cefepime (cobertura Pseudomonas) como monoterapia empírica inicial.

Resumo-Chave

Pacientes com neutropenia febril após quimioterapia para leucemia linfoide aguda são considerados de alto risco para infecções graves. A antibioticoterapia empírica inicial deve cobrir bactérias Gram-negativas, especialmente Pseudomonas aeruginosa, sendo o Cefepime uma excelente escolha em monoterapia.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal em pacientes submetidos à quimioterapia, especialmente aqueles com neoplasias hematológicas como a leucemia linfoide aguda (LLA). É definida pela presença de febre em um paciente com contagem de neutrófilos absolutos (CNA) inferior a 500/mm³ ou com previsão de queda para esse nível. A rápida identificação e início da antibioticoterapia empírica são cruciais para reduzir a morbimortalidade. Pacientes com LLA em fase de indução de quimioterapia, com neutropenia profunda e prolongada, e sinais de inflamação sistêmica (como PCR elevada), são considerados de alto risco para infecções bacterianas graves, incluindo sepse. Nesses casos, a antibioticoterapia empírica inicial deve ter amplo espectro, cobrindo principalmente bactérias Gram-negativas, com destaque para a Pseudomonas aeruginosa, um patógeno oportunista comum e virulento. O Cefepime, uma cefalosporina de quarta geração, é uma excelente escolha para monoterapia empírica em pacientes de alto risco, devido ao seu amplo espectro contra Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e Gram-positivos, com boa penetração tecidual. A adição de vancomicina ou outros agentes contra Gram-positivos resistentes (como MRSA) é geralmente reservada para situações específicas, como instabilidade hemodinâmica, infecção de cateter, pneumonia grave, infecção de pele/partes moles ou mucosite grave, que não são descritas no caso inicial.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de neutropenia febril e por que é uma emergência?

Neutropenia febril é definida por febre (temperatura oral única >38,3°C ou >38°C por 1h) e neutropenia (neutrófilos <500/mm³ ou <1000/mm³ com previsão de queda). É uma emergência devido ao alto risco de sepse e mortalidade em pacientes imunocomprometidos.

Por que o Cefepime é a escolha inicial para neutropenia febril de alto risco?

O Cefepime é um beta-lactâmico de amplo espectro com excelente cobertura para bactérias Gram-negativas, incluindo Pseudomonas aeruginosa, que é um patógeno comum e grave em pacientes neutropênicos febris de alto risco.

Quando a vancomicina deve ser adicionada à antibioticoterapia empírica na neutropenia febril?

A vancomicina é adicionada em casos de instabilidade hemodinâmica, suspeita de infecção por Gram-positivos resistentes (MRSA), infecção de cateter, pneumonia grave, infecção de pele/partes moles ou mucosite grave. Não é rotina para todos os casos.

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