Neutropenia Febril na Pediatria: Conduta e Tratamento

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Uma menina com 8 anos de idade encontra-se internada em unidade hospitalar para tratamento de leucemia linfoide aguda. Cerca de 15 dias após uma sessão de quimioterapia, a paciente apresenta episódio de febre de 38,5 ºC. Ao exame, verifica-se que a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a pressão arterial estão normais para a idade, não havendo nenhum sinal de localização da febre. O hemograma vem mantendo contagem de neutrófilos abaixo de 500 células/mm³ nos últimos 7 dias. A conduta apropriada a ser adotada para essa paciente é:

Alternativas

  1. A) Colher hemocultura (2 amostras) e urinocultura, realizar radiografia de tórax e tomografia de seios da face, e iniciar antibioticoterapia de acordo com os resultados dos exames.
  2. B) Colher hemocultura (2 amostras), avaliar a realização de radiografia de tórax e uroanálise, e iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
  3. C) Tratar o caso como choque séptico, iniciando expansão volêmica e antibioticoterapia empírica de amplo espectro.
  4. D) Iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro, após serem afastadas as causas não infecciosas da febre.

Pérola Clínica

Febre + Neutrófilos < 500 = Emergência → Culturas + Antibiótico IV imediato.

Resumo-Chave

A neutropenia febril exige início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro (antipseudomonas) após coleta de culturas, sem aguardar exames de imagem ou resultados laboratoriais adicionais.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma das complicações mais graves do tratamento quimioterápico em oncologia pediátrica. Devido à imunossupressão, a resposta inflamatória é mínima, e a febre pode ser o único sinal de uma infecção potencialmente fatal. O tempo porta-antibiótico ideal é inferior a 60 minutos. A progressão para choque séptico em pacientes neutropênicos é extremamente veloz, justificando a abordagem empírica agressiva. O manejo envolve a estratificação de risco (baixo vs. alto risco), embora a maioria dos pacientes pediátricos pós-quimioterapia de LLA seja tratada como alto risco em regime hospitalar.

Perguntas Frequentes

Como é definida a neutropenia febril?

É definida como um único registro de temperatura oral ≥ 38,3°C ou ≥ 38,0°C por mais de uma hora, em um paciente com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou CAN < 1000 com previsão de queda para < 500.

Qual o antibiótico de escolha inicial?

A monoterapia com um betalactâmico antipseudomonas (como Cefepime, Piperacilina-Tazobactam ou Carbapenêmicos) é o padrão ouro inicial. A escolha depende do perfil de resistência local da instituição.

Quais exames devem ser colhidos imediatamente?

Devem ser colhidas pelo menos duas amostras de hemocultura (uma de cateter central, se houver, e uma periférica), urinocultura e avaliação de sítios de infecção. Exames de imagem como RX de tórax são realizados se houver sintomas respiratórios, mas não devem atrasar a primeira dose do antibiótico.

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