Neutropenia Febril Oncológica: Urgência e Tratamento Inicial

HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2015

Enunciado

Um homem de sessenta anos de idade, portador de neoplasia prostática recidivada pós-cirurgia, em tratamento com quimioterapia, procurou a emergência por apresentar febre e mal-estar geral. O exame físico evidenciou emagrecimento, queda de cabelos e pele seca com algumas lesões descamativas. Temperatura axilar de 38 °C; FC = 100 bpm; PA = 122/70 mmHg e FR = 18 mrpm. O hemograma mostra neutropenia importante de 600 cel/mm³. Antes mesmo de reencaminhar esse paciente ao seu oncologista, deve-se instituir tratamento com

Alternativas

  1. A) Antifúngico.
  2. B) Antiviral de última geração.
  3. C) Quinolona.
  4. D) Anti-histamínico.
  5. E) Hidratação endovenosa.

Pérola Clínica

Neutropenia febril em paciente oncológico → Emergência médica, iniciar ATB empírico de amplo espectro imediatamente (ex: quinolona ou beta-lactâmico).

Resumo-Chave

A neutropenia febril em paciente oncológico em quimioterapia é uma emergência médica que exige início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro para cobrir bactérias gram-negativas (incluindo Pseudomonas) e gram-positivas, antes mesmo de exames complementares ou encaminhamento.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e potencialmente fatal da quimioterapia mielossupressora em pacientes com câncer. É definida pela presença de febre (temperatura oral ≥ 38,3 °C ou ≥ 38,0 °C por mais de uma hora) e neutropenia (contagem absoluta de neutrófilos < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda). A ausência de neutrófilos funcionais compromete severamente a capacidade do paciente de combater infecções, tornando-o extremamente vulnerável a patógenos bacterianos, fúngicos e virais. A fisiopatologia da neutropenia febril reside na supressão da medula óssea pela quimioterapia, resultando em uma deficiência crítica de neutrófilos, a primeira linha de defesa contra infecções bacterianas. A febre, muitas vezes o único sinal de infecção, deve ser prontamente investigada e tratada, pois a progressão para sepse e choque séptico pode ser rápida e devastadora. A origem da infecção é frequentemente endógena, com translocação bacteriana da flora gastrointestinal ou cutânea. O manejo da neutropenia febril é uma emergência médica. A conduta primordial é o início imediato da antibioticoterapia empírica de amplo espectro, antes mesmo da obtenção de culturas ou da identificação do foco infeccioso. A escolha do antibiótico depende do risco do paciente (alto ou baixo), com quinolonas orais para baixo risco e beta-lactâmicos antipseudomonas intravenosos (como cefepime, piperacilina-tazobactam ou meropenem) para alto risco. O atraso no início do antibiótico está diretamente correlacionado com o aumento da morbidade e mortalidade. A hidratação endovenosa é um suporte, mas não o tratamento principal para a infecção.

Perguntas Frequentes

Qual a definição de neutropenia febril?

Neutropenia febril é definida como uma temperatura oral ≥ 38,3 °C (ou ≥ 38,0 °C por mais de 1 hora) e contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500 células/mm³ ou < 1000 células/mm³ com previsão de queda para < 500 células/mm³ nas próximas 48 horas.

Qual a importância do tratamento imediato na neutropenia febril?

O tratamento imediato com antibióticos de amplo espectro é crucial porque a neutropenia grave impede uma resposta imune eficaz, tornando o paciente vulnerável a infecções rapidamente progressivas e potencialmente fatais, como a sepse.

Quais antibióticos são recomendados para o tratamento empírico da neutropenia febril?

Para pacientes de baixo risco, uma quinolona oral (como ciprofloxacino ou levofloxacino) pode ser usada. Para alto risco, um beta-lactâmico antipseudomonas intravenoso (como cefepime, piperacilina-tazobactam ou meropenem) é a escolha inicial.

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