Neutropenia Febril e Vacinação no Paciente Oncológico

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

As infecções constituem uma causa comum de morte e uma causa ainda mais comum de morbidade em pacientes que apresentam ampla variedade de neoplasias malignas – a depender do tipo de neoplasia, os óbitos relacionados a infecção podem chegar a 50% dos casos. A evolução da abordagem na prevenção e no tratamento das complicações infecciosas do câncer tem diminuído as taxas de mortalidade associadas às infecções e provavelmente continuará a fazê-lo. Julgue as alternativas a seguir e aponte a correta:

Alternativas

  1. A) Vacinas de vírus vivos (ou de bactérias vivas) não devem ser administradas a pacientes durante a quimioterapia intensiva, devido ao risco de infecção disseminada.
  2. B) Na neutropenia febril em terapia inicial sem foco definido, recomenda-se o uso empírico de vancomicina, reavaliando a manutenção deste tratamento após resultados de culturas.
  3. C) Pacientes com febre e neutropenia devem receber terapia intravenosa com cobertura de amplo espectro contra bactérias gram-negativas e gram-positivas e pseudomonas; o tratamento ambulatorial com antibióticos via oral nesta situação é contraindicado.
  4. D) Os esquemas de antibióticos recomendados empiricamente para o tratamento de pacientes febris nos quais se espera uma neutropenia de longa duração (> 7 dias) incluem cefalosporina de terceira geração, macrolídeo e sulfametoxazol/trimetoprima, frequentemente em associação.
  5. E) Cateteres intravenosos que são usados na quimioterapia estão propensos a causar infecção e representam um problema importante no tratamento destes pacientes; infecções de cateteres são tratadas com antibióticos e é contraindicada a remoção cirúrgica, tanto pela necessidade de via terapêutica para quimioterapia quanto pelo risco de disseminação séptica na manipulação dos mesmos.

Pérola Clínica

Vacinas de vírus ou bactérias vivas → Contraindicadas na quimioterapia intensiva pelo risco de infecção disseminada.

Resumo-Chave

A neutropenia febril é uma emergência oncológica que exige cobertura imediata contra Gram-negativos (Pseudomonas). Vacinas de agentes vivos são proibidas durante imunossupressão grave.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é definida como uma temperatura oral única > 38,3°C ou ≥ 38,0°C por mais de uma hora em pacientes com contagem absoluta de neutrófilos < 500/mm³. A fisiopatologia envolve frequentemente a translocação bacteriana da microbiota endógena (especialmente do trato gastrointestinal) devido à mucosite induzida pela quimioterapia. O manejo exige estratificação de risco (ex: escore MASCC). Pacientes de alto risco (neutropenia esperada > 7 dias ou comorbidades) devem ser hospitalizados para terapia IV. A remoção de cateteres venosos centrais não é mandatória inicialmente, a menos que haja infecção por patógenos específicos (S. aureus, Pseudomonas, fungos), infecção do túnel/pocket ou persistência de bacteremia após 48-72h de tratamento adequado.

Perguntas Frequentes

Por que vacinas de vírus vivos são contraindicadas na quimioterapia?

Pacientes sob quimioterapia intensiva apresentam imunossupressão profunda, o que impede uma resposta imune adequada e permite a replicação descontrolada do agente vacinal, podendo levar a uma infecção disseminada iatrogênica grave. A imunização com agentes vivos deve ser realizada pelo menos 2 a 4 semanas antes do início do tratamento ou após a recuperação imunológica documentada.

Qual a conduta inicial na neutropenia febril sem foco definido?

A conduta padrão é o início imediato (em até 60 minutos) de antibioticoterapia intravenosa de amplo espectro com cobertura antipseudomônica. As opções de primeira linha incluem Cefepime, Piperacilina/Tazobactam ou Carbapenêmicos (Imipenem ou Meropenem). A escolha deve considerar os padrões de resistência local da instituição.

Quando a vancomicina deve ser adicionada ao esquema empírico?

A vancomicina não é recomendada de rotina. Suas indicações precisas incluem: instabilidade hemodinâmica ou choque séptico, pneumonia documentada radiologicamente, suspeita clínica de infecção grave de cateter venoso central, infecção de pele ou tecidos moles, ou se o paciente for sabidamente colonizado por MRSA (Staphylococcus aureus resistente à meticilina).

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