Neutropenia Febril em Crianças: Diagnóstico e Conduta Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Uma menina de 6 anos em tratamento para leucemia linfoide aguda, é levada a uma unidade de pronto-atendimento infantil devido a pico febril de 38,5°C, sem outros sintomas associados. Ela utiliza um cateter de longa permanência para a administração de quimioterapia, realizada há uma semana. Seu exame físico não revela alterações. Diante do quadro clínico apresentado, assinale a opção correta em relação à propedêutica.

Alternativas

  1. A) A paciente deve ser tratada com antibióticos de largo espectro, sendo indicada a troca imediata do cateter de longa permanência. 
  2. B) A paciente dispensa a propedêutica complementar, por se tratar de um primeiro pico febril e por não haver alterações no exame físico que indiquem foco infeccioso.
  3. C) A paciente apresenta alto risco para neutropenia febril e, por isso, deve realizar hemograma, hemocultura de sangue periférico e de cateter central e provas inflamatórias. 
  4. D) A paciente deve realizar hemograma completo e, caso o resultado indique neutrófilos < 1 000/mm³, a investigação deve prosseguir com hemocultura, com provas inflamatórias e com hemocultura de cateter central.

Pérola Clínica

Paciente oncológico febril com cateter → alto risco neutropenia febril → hemograma, hemocultura periférica e de cateter, provas inflamatórias.

Resumo-Chave

A febre em paciente oncológico imunossuprimido, especialmente com cateter, é uma emergência médica. A investigação deve ser agressiva e completa para identificar foco infeccioso, mesmo sem sintomas localizatórios, devido ao alto risco de neutropenia febril e sepse.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e comum em pacientes oncológicos submetidos à quimioterapia, especialmente crianças com leucemia linfoide aguda. É definida pela presença de febre em um paciente neutropênico, sendo uma emergência médica devido ao alto risco de sepse e mortalidade. A identificação e manejo rápidos são cruciais para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a imunossupressão induzida pela quimioterapia, que compromete a barreira de defesa do hospedeiro, tornando-o suscetível a infecções bacterianas e fúngicas, muitas vezes originadas da própria microbiota. O diagnóstico requer hemograma completo para avaliar a neutropenia, hemoculturas (periférica e de cateter, se presente) e provas inflamatórias para guiar a conduta, mesmo na ausência de um foco infeccioso aparente. O tratamento inicial da neutropenia febril é empírico com antibióticos de largo espectro, cobrindo Gram-positivos e Gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa. A internação hospitalar é mandatória, e a investigação do foco infeccioso deve ser contínua. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, visando prevenir a progressão para sepse grave e choque.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para neutropenia febril?

Neutropenia febril é definida como uma única temperatura oral ≥ 38,3°C ou temperatura ≥ 38,0°C por mais de uma hora, associada a uma contagem de neutrófilos < 500/mm³ ou < 1000/mm³ com expectativa de queda para < 500/mm³.

Qual a importância da hemocultura de cateter na neutropenia febril?

A hemocultura de cateter é crucial para identificar infecções relacionadas ao cateter, uma causa comum de sepse em pacientes oncológicos. Ela deve ser coletada junto com a hemocultura periférica para aumentar a sensibilidade diagnóstica.

Por que a febre em paciente oncológico é uma emergência?

A febre em pacientes oncológicos, especialmente neutropênicos, pode ser o único sinal de uma infecção grave e rapidamente progressiva, levando a sepse e choque séptico com alta mortalidade se não tratada prontamente com antibióticos de largo espectro.

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