Neutropenia Febril: Manejo Urgente em Pacientes Oncológicos

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 53 anos apresenta febre de 39°C que se iniciou há duas horas, sem qualquer outra queixa. Está em tratamento de Linfoma não Hodgkin de alto grau e recebeu o segundo cilco de quimioterapia há dez dias. Ao exame: bom estado geral, hipocorado +/4+, hidratado, eupneico, febril, PA 120x70 mmHg. FC 100 bpm. Ausculta pulmonar normal. sem lesões de pele. Hemograma: Hb 10,5g/dl; Hto 30%; leucometria global 800/mcL (neutrófilos 80/mcL e linfócitos 720/mcL); plaquetas 45.000/mcL. A conduta adequada neste caso é:

Alternativas

  1. A) Observar clinicamente em regime ambulatorial, dada à ausência de sintomas importantes e estabilidade hemodinâmica.
  2. B) Administrar a primeira dose de antibioticoterapia na emergência e liberar o paciente para completar o tratamento ambulatorialmente.
  3. C) internar e iniciar imediatamente antibioticoterapia venosa de amplo espectro.
  4. D) Manter internado para observação rigorosa e aguardar resultado das culturas para avaliar indicação de antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Neutropenia febril (neutrófilos < 500/mcL + febre) em paciente oncológico → internação + ATB IV amplo espectro imediato.

Resumo-Chave

A neutropenia febril em pacientes oncológicos pós-quimioterapia é uma emergência médica que exige internação imediata e início precoce de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, devido ao alto risco de sepse e mortalidade, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis.

Contexto Educacional

A neutropenia febril é uma complicação grave e comum da quimioterapia mielossupressora, representando uma emergência oncológica. É definida pela presença de febre em um paciente com contagem absoluta de neutrófilos (CAN) abaixo de 500/mcL, ou abaixo de 1000/mcL com expectativa de queda. Sua importância clínica reside no alto risco de infecções bacterianas e fúngicas que podem progredir rapidamente para sepse e choque, com alta mortalidade se não tratada prontamente. A fisiopatologia envolve a supressão da medula óssea pela quimioterapia, resultando em deficiência de neutrófilos, a primeira linha de defesa contra patógenos. O diagnóstico é clínico (febre) e laboratorial (hemograma). Mesmo na ausência de sintomas focais de infecção e com estabilidade hemodinâmica inicial, a neutropenia febril exige atenção máxima. O paciente do caso, com CAN de 80/mcL, está em neutropenia grave. A conduta adequada é a internação hospitalar e o início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, preferencialmente dentro da primeira hora do diagnóstico. A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais comuns, incluindo bactérias gram-negativas como Pseudomonas aeruginosa. A observação ambulatorial ou o atraso na antibioticoterapia são inaceitáveis devido ao risco iminente de deterioração clínica e desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

O que define neutropenia febril em pacientes oncológicos?

Neutropenia febril é definida como uma temperatura oral ≥ 38,3°C (ou ≥ 38°C por mais de 1 hora) e contagem absoluta de neutrófilos (CAN) < 500/mcL, ou CAN < 1000/mcL com previsão de queda para < 500/mcL.

Qual a conduta inicial para neutropenia febril?

A conduta inicial é internação hospitalar e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, cobrindo gram-positivos e gram-negativos, incluindo Pseudomonas aeruginosa, preferencialmente dentro da primeira hora.

Por que a neutropenia febril é uma emergência médica?

É uma emergência devido ao risco elevado de infecções graves e rapidamente progressivas que podem levar a sepse, choque séptico e morte em pacientes imunocomprometidos pela quimioterapia, mesmo com sinais vitais estáveis inicialmente.

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