FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025
Uma criança de 3 anos, com história de amigdalites, otites e pneumonias de repetição(4 episódios), vai ao pediatra com história de febre alta há 1 dia, queda do estado geral e tosse com expectoração amarelada. Ao exame físico, peso e altura normais para idade, perfusão de 2 segundos, FR: 18 irpm, sem sinais de dispneia e radiografia de tórax com opacidade heterogênea segmentar a direita. O hemograma mostra Hb: 12, plaquetas320.000 e leucócitos 8.000 (4% de neutrófilos, 20% de linfócitos e 5% de eosinófilos). Com base nessas informações é correto inferir que:
Neutropenia grave (< 500/mm³) + Foco infeccioso → Internação + Antibiótico IV imediato.
A presença de neutropenia absoluta (320/mm³) em uma criança com pneumonia e histórico de infecções recorrentes classifica o quadro como de alto risco, exigindo suporte hospitalar.
O manejo de infecções em pacientes com neutropenia absoluta requer agressividade terapêutica. A neutropenia prejudica a resposta inflamatória local, o que pode mascarar sinais físicos de gravidade, mas a evolução para sepse pode ser fulminante. A escolha do antibiótico deve cobrir patógenos comuns e, dependendo do contexto, considerar cobertura para Pseudomonas aeruginosa. Além do tratamento agudo, o histórico de amigdalites, otites e pneumonias de repetição sugere um defeito na imunidade inata ou adaptativa. A investigação ambulatorial posterior com dosagem de imunoglobulinas, avaliação de subpopulações de linfócitos e testes de função fagocítica é mandatória para prevenir novos episódios e sequelas pulmonares.
A CAN é calculada multiplicando o número total de leucócitos pela porcentagem de neutrófilos (segmentados + bastões). No caso apresentado: 8.000 leucócitos x 4% de neutrófilos = 320 neutrófilos/mm³. Valores abaixo de 500/mm³ configuram neutropenia grave, aumentando drasticamente o risco de infecções bacterianas invasivas.
Embora a FR de 18 irpm esteja normal, a combinação de febre alta, queda do estado geral, imagem radiológica de pneumonia e, crucialmente, a neutropenia grave torna o paciente instável do ponto de vista imunológico. O risco de progressão rápida para choque séptico é alto, justificando a antibioticoterapia intravenosa e monitorização contínua.
Deve-se suspeitar quando houver sinais de alerta como: duas ou mais pneumonias no último ano, oito ou mais otites, estomatites persistentes, infecções graves por germes incomuns ou histórico familiar de imunodeficiência. O paciente do caso apresenta múltiplas infecções prévias e neutropenia, o que exige investigação diagnóstica profunda após a estabilização do quadro agudo.
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