Neurotoxoplasmose em SIDA: Diagnóstico e Imagem no SNC

HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024

Enunciado

Paciente com diagnóstico de Síndrome de Imunodeficiência Humana Adquirida pelo vírus HIV (SIDA) apresenta-se ao pronto socorro com sintomas de cefaleia associada a hemiparesia direita e desvio de rima labial. Realizada TAC crânio a chegada esta mostra múltipla lesões com efeito massa e captação anelar de contraste. Sobre infecções oportunistas em sistema nervoso central (SNC) assinale a melhor alternativa:

Alternativas

  1. A) A leucoencefalopatia multifocal progressiva provocada pelo vírus latente JC é o acometimento mais comum em pacientes com SIDA.
  2. B) Os achados em TAC sugerem lesão isquêmica (AVCi) e não um processo infeccioso. A presença de 10% ou mais de células plasmocitárias na medula óssea define mieloma múltiplo sintomático, independente de outros fatores.
  3. C) O diagnóstico mais provável para o caso acima é neurotoxoplasmose, tanto pelos padrões a TAC quanto por ser a infecção oportunista em SNC mais comum.
  4. D) Tuberculose em sistema nervoso central não deve ser considerada um diagnóstico diferencial devido a captação de contraste.
  5. E) Linfomas em SNC são incomuns na SIDA devido a depleção de linfócitos causadas pelo vírus.

Pérola Clínica

SIDA + lesões cerebrais múltiplas com captação anelar em TC → Neurotoxoplasmose é o diagnóstico mais provável.

Resumo-Chave

Em pacientes com SIDA e sintomas neurológicos focais, a presença de múltiplas lesões com efeito massa e captação anelar de contraste na TC de crânio é altamente sugestiva de neurotoxoplasmose, a infecção oportunista mais comum do SNC nessa população.

Contexto Educacional

A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) é uma condição crônica causada pelo vírus HIV, que compromete o sistema imunológico e predispõe a infecções oportunistas, especialmente no Sistema Nervoso Central (SNC). A neurotoxoplasmose é a infecção oportunista mais comum do SNC em pacientes com SIDA, sendo uma causa importante de morbidade e mortalidade. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para o prognóstico. Os pacientes com neurotoxoplasmose geralmente apresentam sintomas neurológicos focais, como hemiparesia, afasia, convulsões ou alterações do estado mental, associados a cefaleia e febre. A Tomografia Computadorizada (TC) ou Ressonância Magnética (RM) de crânio tipicamente revela múltiplas lesões com efeito massa e captação de contraste em anel, localizadas preferencialmente nos gânglios da base. O diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado nos achados clínicos e radiológicos em pacientes com HIV e baixa contagem de CD4. O tratamento da neurotoxoplasmose consiste em terapia antimicrobiana com pirimetamina e sulfadiazina, com ácido folínico para prevenir a mielossupressão. A resposta ao tratamento é geralmente rápida, com melhora clínica e radiológica em 1 a 2 semanas. A profilaxia secundária é essencial para prevenir recidivas. O diagnóstico diferencial inclui linfoma primário do SNC, leucoencefalopatia multifocal progressiva e tuberculose do SNC, que devem ser considerados em casos atípicos ou refratários ao tratamento empírico.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados típicos de neurotoxoplasmose na tomografia computadorizada de crânio?

A neurotoxoplasmose classicamente se apresenta com múltiplas lesões nodulares ou anelares, com efeito massa e captação de contraste em anel, predominantemente nos gânglios da base e na junção córtico-subcortical. Edema perilesional também é comum.

Qual é a conduta inicial para um paciente com SIDA e suspeita de neurotoxoplasmose?

A conduta inicial é o tratamento empírico para toxoplasmose com sulfadiazina e pirimetamina, associado a ácido folínico. A melhora clínica e radiológica em 1-2 semanas é um forte indicativo do diagnóstico, evitando biópsias desnecessárias.

Como diferenciar neurotoxoplasmose de linfoma primário do SNC em pacientes com HIV?

Ambas podem apresentar lesões com captação anelar. No entanto, o linfoma primário do SNC geralmente é uma lesão única ou poucas lesões grandes, com localização periventricular, e não responde ao tratamento empírico para toxoplasmose. A biópsia cerebral pode ser necessária para confirmação em casos refratários.

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