SES-MA - Secretaria de Estado de Saúde do Maranhão — Prova 2020
Homem de 27 anos com HIV positivo, chegou ao pronto socorro do hospital com quadro de vertigem, cefaleia, febre e crises convulsivas tônico clônica. Após medidas iniciais de suporte, foi realizado tomografia de crânio com contraste que evidencia lesões hipodensas bilaterais em gânglios da base e junção corticomedular. A principal suspeita é:
HIV+ com lesões cerebrais múltiplas em gânglios da base/junção corticomedular → Neurotoxoplasmose.
Em pacientes HIV positivos com sintomas neurológicos e lesões cerebrais múltiplas, especialmente nos gânglios da base e junção corticomedular na TC com contraste, a neurotoxoplasmose é a principal suspeita diagnóstica. É a infecção oportunista do SNC mais comum em pacientes com HIV não tratados.
A neurotoxoplasmose é a infecção oportunista mais comum do sistema nervoso central (SNC) em pacientes com infecção pelo HIV, especialmente aqueles com contagem de CD4 abaixo de 100 células/mm³ e que não estão em terapia antirretroviral (TARV) eficaz. É causada pela reativação do parasita Toxoplasma gondii, que permanece latente no cérebro de indivíduos previamente infectados. A sua importância clínica reside na alta morbimortalidade se não for diagnosticada e tratada precocemente. A apresentação clínica da neurotoxoplasmose é variada, incluindo cefaleia, febre, alterações do estado mental, convulsões e déficits neurológicos focais, como hemiparesia ou ataxia. O diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado na apresentação clínica, sorologia positiva para Toxoplasma (indicando exposição prévia) e achados característicos na neuroimagem. A tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM) de crânio com contraste tipicamente revela lesões múltiplas, hipodensas, com realce em anel, localizadas preferencialmente nos gânglios da base, junção corticomedular e lobos frontais e parietais. O tratamento empírico com sulfadiazina e pirimetamina é iniciado na suspeita diagnóstica, com melhora clínica e radiológica esperada em 7 a 14 dias. A ausência de resposta ao tratamento empírico levanta a necessidade de reavaliar o diagnóstico, considerando biópsia cerebral para descartar outras condições, como o linfoma primário do SNC. A profilaxia primária é indicada para pacientes com CD4 abaixo de 100 células/mm³ e sorologia positiva para Toxoplasma.
Os sintomas da neurotoxoplasmose são variados e dependem da localização das lesões, mas frequentemente incluem cefaleia, febre, convulsões, déficits neurológicos focais (como hemiparesia), alterações do estado mental e ataxia. A apresentação pode ser subaguda.
A TC de crânio com contraste tipicamente revela lesões múltiplas, hipodensas, com realce em anel após contraste, localizadas preferencialmente nos gânglios da base, junção corticomedular e lobos frontais e parietais. Esses achados são altamente sugestivos, mas não patognomônicos.
O principal diagnóstico diferencial é o linfoma primário do sistema nervoso central (LPSNC). Outras condições incluem leucoencefalopatia multifocal progressiva (LEMP), tuberculoma e abscesso cerebral. A diferenciação pode exigir biópsia cerebral se não houver resposta ao tratamento empírico para toxoplasmose.
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