MedEvo Simulado — Prova 2026
Renato, um homem de 32 anos, sabidamente vivendo com HIV, mas sem acompanhamento médico ou uso de terapia antirretroviral (TARV) há mais de dois anos, é levado à Unidade de Pronto Atendimento por familiares. Eles relatam que o paciente apresenta cefaleia holocraniana e febre baixa há cerca de dez dias, mas que, nas últimas 24 horas, desenvolveu uma fraqueza súbita no lado direito do corpo e dificuldade para falar. Ao exame físico, o paciente está sonolento, mas orientado, com hemiparesia à direita e presença de candidíase oral. Uma tomografia computadorizada de crânio realizada na admissão demonstrou múltiplas lesões hipodensas localizadas nos gânglios da base, com importante edema perilesional e realce anelar após a administração de contraste. O diagnóstico mais provável é:
HIV + Déficit focal + Lesões em gânglios da base com realce anelar = Neurotoxoplasmose.
A neurotoxoplasmose é a principal causa de lesões expansivas cerebrais em pacientes com AIDS e baixa contagem de CD4, apresentando-se tipicamente com realce anelar e edema importante.
A neurotoxoplasmose é uma infecção oportunista causada pela reativação de cistos de Toxoplasma gondii em indivíduos imunocomprometidos, especialmente aqueles com contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 100 células/mm³. No caso clínico, o paciente apresenta sinais de imunodeficiência avançada (candidíase oral e abandono da TARV) e um quadro neurológico focal agudo. A abordagem diagnóstica inicial em pacientes HIV com déficit focal e lesão expansiva é o tratamento empírico para toxoplasmose. A ausência de melhora clínica ou radiológica após 10 a 14 dias de terapia direciona a investigação para biópsia cerebral ou outras etiologias, como o Linfoma Primário do SNC. A neurotoxoplasmose continua sendo uma das principais causas de morbidade neurológica em populações com acesso limitado ou baixa adesão ao tratamento antirretroviral.
Na tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM), a neurotoxoplasmose manifesta-se tipicamente como múltiplas lesões hipodensas/hipointensas localizadas preferencialmente nos gânglios da base e na transição corticossubcortical. Após a administração de contraste, observa-se o realce anelar (ou em 'alvo') periférico, acompanhado de importante edema vasogênico perilesional, que pode causar efeito de massa e desvio da linha média.
Embora a distinção absoluta exija biópsia ou exames funcionais (como PET ou SPECT), algumas pistas ajudam: a neurotoxoplasmose costuma ser multifocal, acomete gânglios da base e responde rapidamente ao tratamento empírico (em 7-14 dias). O Linfoma Primário do SNC tende a ser uma lesão única, maior (>4cm), com localização periventricular/subependimária e realce mais sólido. Além disso, a presença de DNA do vírus Epstein-Barr no líquor favorece o diagnóstico de linfoma.
O esquema padrão de primeira linha envolve a combinação de Sulfadiazina e Pirimetamina, associada ao Ácido Folínico (para prevenir toxicidade medular da pirimetamina). Em pacientes alérgicos a sulfas, a Clindamicina pode ser utilizada como alternativa à sulfadiazina. O tratamento deve ser mantido por pelo menos 6 semanas, seguido de profilaxia secundária até que o paciente apresente recuperação imunitária sustentada (CD4 > 200 células/mm³) com a TARV.
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