Neurotoxoplasmose em AIDS: Diagnóstico e Sinais Chave

INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Um homem é levado ao pronto-socorro queixando-se de fraqueza no dimidio esquerdo e cefaleia há 2 dias. É portador de AIDS e abandonou o tratamento há 8 meses, quando apresentava contagem de CD4 89/mm3 e carga viral 345.000cópias/mcL. Ao exame físico, apresenta PA: 120X74mmHg, FC: 76bpm, FR: 15ipm, SpO2: 96%, Tax: 38,4ºC. O exame neurológico revela hemiparesia e hiperreflexia nos membros superior e inferior esquerdos. Sem outras anormalidades. Tomografia computadorizada do crânio com contraste intravenoso: Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS PROVÁVEL para as alterações neurológicas observadas no paciente.

Alternativas

  1. A) Citomegalovirose cerebral.
  2. B) Leucoencefalopatia progressiva multifocal.
  3. C) Neurocriptococose.
  4. D) Neurotoxoplasmose.

Pérola Clínica

Paciente HIV com CD4 < 100 e lesões cerebrais em anel na TC → Neurotoxoplasmose até prova em contrário.

Resumo-Chave

Em pacientes com AIDS e imunossupressão grave (CD4 < 200, especialmente < 100), a neurotoxoplasmose é a causa mais comum de lesões cerebrais focais. A apresentação clínica com déficits neurológicos focais e cefaleia, juntamente com a imagem de TC de crânio (que tipicamente mostra lesões múltiplas em anel com captação de contraste), é altamente sugestiva.

Contexto Educacional

A neurotoxoplasmose é a infecção oportunista mais comum do sistema nervoso central em pacientes com AIDS, especialmente naqueles com contagem de linfócitos CD4 abaixo de 100 células/mm³. É causada pela reativação de cistos latentes de Toxoplasma gondii. A apresentação clínica é variada, mas frequentemente inclui déficits neurológicos focais, cefaleia e convulsões, refletindo a localização das lesões cerebrais. O diagnóstico é tipicamente presuntivo, baseado na tríade de imunossupressão grave (CD4 baixo), achados clínicos neurológicos focais e imagens cerebrais características. A tomografia computadorizada ou ressonância magnética do crânio geralmente revela lesões múltiplas, com captação de contraste em anel e edema perilesional, localizadas preferencialmente nos gânglios da base e na junção córtico-subcortical. A sorologia para Toxoplasma IgG é quase sempre positiva. O tratamento empírico com sulfadiazina e pirimetamina é iniciado, e a melhora clínica e radiológica em 1-2 semanas confirma o diagnóstico. A profilaxia primária é indicada para pacientes com CD4 < 100 e sorologia positiva para Toxoplasma, geralmente com sulfametoxazol-trimetoprim, que também previne a pneumonia por Pneumocystis jirovecii. É crucial diferenciar de outras causas de lesões cerebrais em HIV, como linfoma primário do SNC e leucoencefalopatia progressiva multifocal, que geralmente não apresentam captação em anel.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da neurotoxoplasmose em pacientes com HIV?

Os achados clínicos incluem déficits neurológicos focais (como hemiparesia, afasia), cefaleia, convulsões, alterações do estado mental e febre.

Como é feito o diagnóstico presuntivo de neurotoxoplasmose?

O diagnóstico é presuntivo em pacientes com HIV e CD4 < 100 células/mm³, com sintomas neurológicos focais e lesões cerebrais múltiplas em anel na TC ou RM, e melhora clínica após o início do tratamento empírico.

Qual o tratamento de primeira linha para neurotoxoplasmose?

O tratamento de primeira linha consiste em sulfadiazina e pirimetamina, com ácido folínico para prevenir a toxicidade medular da pirimetamina.

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