UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
Homem de 22 anos, com vício em drogas, desenvolve quadro de cefaleia holocraniana, com piora progressiva nos últimos dias e episódios de febre de 39°C. Evolui em alguns dias, com hemiparesia progressiva à direita, crise convulsiva e certo grau de confusão mental. Não há rigidez de nuca ou alteração de pares cranianos. O paciente está emagrecido, anemiado e com monilíase oral. O próximo passo na elucidação do caso é realizar sorologia para HIV, além de:
HIV + Déficit focal + Febre → TC de crânio com contraste (pesquisa de neurotoxoplasmose) antes da PL.
Em pacientes com suspeita de HIV e sinais neurológicos focais, a neuroimagem com contraste é prioritária para identificar lesões expansivas e evitar riscos na punção lombar.
O quadro clínico descrito (emagrecimento, monilíase oral, febre e cefaleia) é altamente sugestivo de imunodeficiência avançada (AIDS). As complicações neurológicas nesta população são diversas, sendo a neurotoxoplasmose a principal causa de lesão focal. O diagnóstico é frequentemente presuntivo, baseado na clínica, imagem compatível e sorologia positiva para Toxoplasma gondii, com resposta terapêutica ao tratamento empírico (sulfadiazina e pirimetamina). A segurança do paciente é a prioridade: qualquer sinal de déficit neurológico focal ou rebaixamento do nível de consciência obriga a realização de neuroimagem antes de qualquer tentativa de punção lombar. A TC com contraste é o exame de escolha inicial pela rapidez e disponibilidade, embora a RM seja mais sensível para lesões menores.
O paciente apresenta sinais de localização (hemiparesia) e confusão mental, o que sugere uma lesão expansiva no SNC (como neurotoxoplasmose ou linfoma). A punção lombar na presença de efeito de massa e hipertensão intracraniana pode causar herniação cerebral fatal. A TC com contraste identifica o padrão de realce anelar e o edema perilesional, guiando o diagnóstico.
A neurotoxoplasmose é a causa mais comum de lesão expansiva do SNC em pacientes com AIDS. Clinicamente manifesta-se com febre, cefaleia e déficits focais. Na imagem, tipicamente apresenta múltiplas lesões com realce anelar pelo contraste e edema perilesional, localizadas preferencialmente nos núcleos da base.
Além da sorologia para HIV e da TC de crânio, deve-se solicitar contagem de linfócitos T-CD4+, carga viral, hemograma (para avaliar anemia mencionada) e, se a imagem permitir (ausência de efeito de massa), análise do líquor para pesquisa de patógenos como Cryptococcus, BK e citologias oncóticas.
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