Neurotoxoplasmose: Diagnóstico e Tratamento em HIV

UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 47 anos, usuária de drogas endovenosas, apresenta rebaixamento do nível de consciência com crises convulsivas. Tomografia de crânio inicial demonstra lesões hipodensas múltiplas com reforço de contraste em anel, edema perilesional, envolvendo gânglios da base, lobos frontal e parietal. Exames laboratoriais demonstram leucocitopenia com linfopenia importante. Qual o próximo passo baseado na principal hipótese diagnóstica neste momento?

Alternativas

  1. A) Anfotericina B.
  2. B) Esquema RIPE.
  3. C) Radioterapia paliativa e corticoterapia.
  4. D) Sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.

Pérola Clínica

Usuário de drogas IV + lesões cerebrais em anel + linfopenia → Neurotoxoplasmose (HIV) → Sulfadiazina, Pirimetamina, Ácido Folínico.

Resumo-Chave

A paciente, usuária de drogas endovenosas (alto risco para HIV), apresenta quadro neurológico com lesões cerebrais múltiplas em anel e linfopenia, achados altamente sugestivos de neurotoxoplasmose, uma infecção oportunista comum em pacientes com HIV/AIDS. O tratamento de escolha é a combinação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico.

Contexto Educacional

A neurotoxoplasmose é a infecção oportunista mais comum do sistema nervoso central (SNC) em pacientes com AIDS, sendo uma das principais causas de lesões cerebrais focais. O perfil da paciente – usuária de drogas endovenosas, com rebaixamento do nível de consciência, crises convulsivas, lesões cerebrais múltiplas com reforço em anel na TC e linfopenia – é altamente sugestivo de infecção pelo HIV e, consequentemente, de neurotoxoplasmose. A linfopenia importante é um achado comum em pacientes com HIV avançado. O diagnóstico da neurotoxoplasmose é frequentemente presuntivo, baseado na apresentação clínica, achados radiológicos e resposta ao tratamento empírico. As lesões em anel, especialmente nos gânglios da base, são características. Outros diagnósticos diferenciais incluem linfoma primário do SNC e leucoencefalopatia multifocal progressiva, mas a neurotoxoplasmose é a mais provável nesse cenário. O tratamento de escolha para a neurotoxoplasmose é a combinação de sulfadiazina e pirimetamina, com adição de ácido folínico para mitigar os efeitos mielossupressores da pirimetamina. A resposta clínica e radiológica ao tratamento é esperada em 1-2 semanas e serve como um critério diagnóstico adicional. A terapia antirretroviral (TARV) para o HIV deve ser otimizada ou iniciada após a estabilização do quadro agudo da infecção oportunista.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados de imagem típicos da neurotoxoplasmose na TC de crânio?

A neurotoxoplasmose tipicamente apresenta lesões múltiplas, hipodensas, com reforço em anel após contraste, frequentemente localizadas nos gânglios da base e na junção córtico-subcortical.

Por que a paciente usuária de drogas endovenosas tem alto risco para neurotoxoplasmose?

Usuários de drogas endovenosas têm um risco elevado de infecção pelo HIV, que leva à imunossupressão. A neurotoxoplasmose é a infecção oportunista mais comum do SNC em pacientes com AIDS.

Qual o papel do ácido folínico no tratamento da neurotoxoplasmose?

O ácido folínico é administrado para prevenir a mielossupressão (anemia megaloblástica, leucopenia) causada pela pirimetamina, que é um antagonista do folato.

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