Neurotoxicidade por Cefepima: Diagnóstico e Manejo em Idosos

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Idoso de 76 anos, hipertenso, diabético, doença renal crônica estadio 4, com sequela motora à esquerda de acidente vascular encefálico isquêmico, ocorrido há 2 anos. Internado há 10 dias por fratura de colo de fêmur esquerdo. Há 4 dias, diagnosticada pneumonia nosocomial, por tosse, febre, leucocitose e consolidação à radiografia de tórax. Introduzidas cefepima e hidratação cautelosa, apresentou melhora clínica e laboratorial após 72 horas. Há 1 dia, evoluiu com afasia, mioclonia e crises convulsivas reentrantes, sem deficit focais aparentes. Tomografia de crânio demonstrou área de encefalomalácea à direita, sem sinais de sangramento ou desvio de linha média. Qual é a principal hipótese diagnóstica para explicar as alterações neurológicas?

Alternativas

  1. A) Encefalopatia urêmica.
  2. B) Novo acidente vascular encefálico.
  3. C) Hipernatremia.
  4. D) Intoxicação por cefepima.
  5. E) Hipoxemia.

Pérola Clínica

Idoso com DRC e uso de cefepima → Afasia, mioclonia, convulsões = Suspeitar de neurotoxicidade por cefepima.

Resumo-Chave

A cefepima, um antibiótico beta-lactâmico, pode causar neurotoxicidade, especialmente em pacientes com disfunção renal, devido ao acúmulo do fármaco. Os sintomas incluem encefalopatia, afasia, mioclonias e crises convulsivas. A suspeita é alta em pacientes idosos com doença renal crônica que desenvolvem esses sintomas após o início da medicação.

Contexto Educacional

A neurotoxicidade por cefepima é uma complicação grave, mas subdiagnosticada, que afeta principalmente pacientes criticamente enfermos com fatores de risco. A cefepima é um antibiótico beta-lactâmico de quarta geração amplamente utilizado para infecções graves. A prevalência de neurotoxicidade pode chegar a 15% em pacientes com disfunção renal, destacando a importância de um alto índice de suspeita. A importância clínica reside em reconhecer prontamente essa condição para evitar morbidade e mortalidade significativas. A fisiopatologia envolve o acúmulo de cefepima e seus metabólitos no sistema nervoso central, especialmente quando há comprometimento da função renal e a dose não é ajustada. A cefepima atua como um antagonista GABA-A, o que pode explicar os sintomas de hiperexcitabilidade neuronal. O diagnóstico é clínico, baseado na temporalidade entre o início do fármaco e o surgimento dos sintomas neurológicos, na presença de fatores de risco e na exclusão de outras causas. O EEG pode mostrar atividade epileptiforme generalizada ou lentificação. O tratamento primário é a suspensão imediata da cefepima. Em casos graves de insuficiência renal e sintomas neurológicos persistentes, a hemodiálise pode ser eficaz na remoção do fármaco. O prognóstico geralmente é bom com a interrupção do medicamento, com resolução completa dos sintomas na maioria dos pacientes. No entanto, a recuperação pode levar dias a semanas, e a identificação tardia pode levar a sequelas permanentes ou óbito.

Perguntas Frequentes

Quais são os fatores de risco para neurotoxicidade por cefepima?

Os principais fatores de risco para neurotoxicidade por cefepima incluem insuficiência renal (com dose não ajustada), idade avançada, lesão cerebral pré-existente (como AVE), e uso concomitante de outros fármacos neurotóxicos. O acúmulo do antibiótico no sistema nervoso central é o mecanismo principal.

Quais são os sintomas clínicos da neurotoxicidade por cefepima?

Os sintomas clínicos da neurotoxicidade por cefepima são variados e incluem encefalopatia (confusão, letargia), afasia, mioclonias, convulsões (incluindo estado de mal epiléptico não convulsivo), e coma. A gravidade pode variar de leve a fatal.

Como diferenciar a neurotoxicidade por cefepima de outras causas de encefalopatia em idosos?

A diferenciação envolve a revisão da história medicamentosa, avaliação da função renal, e exclusão de outras causas como novo AVE, distúrbios metabólicos (uremia, hiponatremia), infecções do SNC e hipóxia. A melhora clínica após a suspensão da cefepima ou hemodiálise (em casos graves) é um forte indicativo.

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