MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 72 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de pulmão de células não pequenas com metástases ósseas difusas (arcos costais e coluna toracolombar), está em acompanhamento pela equipe de cuidados paliativos para manejo de dor crônica oncológica. Ele utiliza Morfina de liberação prolongada na dose de 60 mg a cada 12 horas, além de doses de resgate de Morfina de liberação imediata de 10 mg, as quais tem utilizado cerca de quatro vezes ao dia. Nas últimas 48 horas, o paciente passou a apresentar um quadro de confusão mental leve e desorientação temporal. A família relata que ele apresenta movimentos súbitos e involuntários nos membros, semelhantes a sustos, especialmente durante o sono. Além disso, o paciente queixa-se de que a dor mudou de característica, tornando-se generalizada e insuportável ao menor toque da roupa ou do lençol, com piora paradoxal cerca de 30 a 60 minutos após a ingestão das doses de resgate. Ao exame físico, observa-se alodinia difusa em tronco e membros, além de mioclonias multifocais espontâneas. Os exames laboratoriais do dia revelam uma Creatinina de 2,3 mg/dL (valor basal de 0,9 mg/dL há duas semanas) e Cálcio iônico normal. Diante desse cenário clínico, a conduta terapêutica mais adequada é:
Morfina + Insuficiência Renal + Mioclonias/Alodinia → Neurotoxicidade → Rotação de Opioide + Hidratação.
A acúmulo de metabólitos neurotóxicos da morfina (M3G) em pacientes com falência renal causa hiperalgesia e mioclonias, exigindo troca de fármaco.
A Neurotoxicidade Induzida por Opioides (NIO) é uma complicação grave do manejo da dor crônica, frequentemente subdiagnosticada. O quadro clínico clássico envolve delirium, mioclonias, convulsões e um fenômeno de sensibilização central que resulta em hiperalgesia e alodinia. No caso de pacientes idosos com câncer avançado, a desidratação ou a progressão da doença podem levar à insuficiência renal aguda, precipitando o acúmulo de metabólitos como o M3G. A conduta imediata não é o aumento da dose, mas sim a rotação para um opioide com perfil farmacocinético distinto (como Metadona ou Oxicodona), geralmente reduzindo a dose equianalgésica em 25% a 50% para compensar a tolerância incompleta. A hidratação auxilia na eliminação dos metabólitos acumulados, enquanto o suporte clínico foca na estabilização da função renal e controle dos sintomas neuroexcitatórios.
A morfina é metabolizada em morfina-3-glucuronídeo (M3G) e morfina-6-glucuronídeo (M6G). O M3G é neuroexcitatório e, em quadros de insuficiência renal, acumula-se, causando mioclonias, confusão mental e alodinia.
A dor oncológica costuma ser localizada e responde ao aumento da dose. A hiperalgesia/alodinia por opioide é difusa, paradoxal (piora após a dose) e frequentemente associada a sintomas neurológicos como mioclonias multifocais.
Fentanil e Metadona são preferíveis em pacientes com disfunção renal, pois possuem metabolismo hepático e metabólitos inativos ou menos dependentes da excreção renal comparados à morfina, codeína e meperidina.
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