Neurossífilis Congênita: Diagnóstico e Tratamento em RN

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Você avalia um recém-nascido de 38 semanas de idade gestacional, no berçário, cuja mãe teve diagnóstico de sífilis no parto. A mãe não realizou tratamento previamente ou durante a gestação. Realizou-se teste não treponêmico na mãe, com resultado de 1:16, e no recém-nascido, com resultado 1:64. O menino também realizou hemograma completo, análise de função e lesão hepática, função pancreática, função renal, distúrbios hidroeletrolíticos e radiografia de tórax e de ossos longos, que tiveram resultados normais. Também foi realizada punção lombar para pesquisa de líquor, que apresentava 50 células/mm³ (VR: 0-32 células/mm³), proteínas 200mg/dL (VR: 20-170mg/dL) e VDRL positivo. Qual é o diagnóstico e a conduta a seguir?

Alternativas

  1. A) Neurossífilis na criança com sífilis congênita. Notificar caso e iniciar tratamento com penicilina cristalina 50.000UI/kg, via endovenosa, a cada 24 horas, por 10 dias.
  2. B) Sífilis congênita. Notificar caso e iniciar tratamento com penicilina cristalina 50.000UI/kg, via endovenosa, a cada 12 horas, por 10 dias.
  3. C) Sífilis congênita. Notificar caso e iniciar tratamento com penicilina procaína 50.000UI/kg, via intramuscular, a cada 24 horas, por 10 dias.
  4. D) Neurossífilis na criança com sífilis congênita. Notificar caso e iniciar tratamento com penicilina cristalina 50.000UI/kg, via endovenosa, a cada 12 horas, por 10 dias.

Pérola Clínica

RN com sífilis congênita e VDRL líquor positivo + pleocitose/proteinorraquia → Neurossífilis = Penicilina cristalina EV 50.000 UI/kg a cada 12h por 10 dias.

Resumo-Chave

A presença de VDRL positivo no líquor, associada a alterações celulares ou proteicas, é diagnóstica de neurossífilis em recém-nascidos com sífilis congênita. O tratamento para neurossífilis é mais intensivo, utilizando penicilina cristalina endovenosa em regime de 12/12h, devido à necessidade de atingir concentrações adequadas no SNC.

Contexto Educacional

A sífilis congênita é uma doença infecciosa grave transmitida verticalmente, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A neurossífilis congênita representa a forma mais grave do acometimento, com envolvimento do sistema nervoso central, e exige atenção especial devido às suas sequelas neurológicas. A identificação de mães com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada durante a gestação é o primeiro passo para a investigação do recém-nascido. O diagnóstico da sífilis congênita no recém-nascido é complexo e envolve a avaliação dos títulos de VDRL materno e do RN, além de exames complementares como hemograma, função hepática, radiografia de ossos longos e, crucialmente, a análise do líquor. A presença de VDRL positivo no líquor, pleocitose ou proteinorraquia são indicativos de neurossífilis, mesmo na ausência de outros achados sistêmicos. O tratamento da neurossífilis congênita difere do tratamento da sífilis congênita sem acometimento do SNC. A penicilina cristalina endovenosa em doses mais frequentes (a cada 12 horas) é fundamental para garantir a penetração adequada da droga na barreira hematoencefálica e erradicar a infecção no SNC, prevenindo sequelas neurológicas permanentes. A notificação compulsória do caso é essencial para o controle epidemiológico.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para neurossífilis congênita em recém-nascidos?

O diagnóstico de neurossífilis congênita em RN é estabelecido pela presença de VDRL reativo no líquor, pleocitose (>25 células/mm³ ou >50 células/mm³ dependendo da idade) ou proteinorraquia (>170 mg/dL).

Qual o tratamento recomendado para neurossífilis congênita?

O tratamento padrão para neurossífilis congênita é penicilina cristalina aquosa, 50.000 UI/kg/dose, via endovenosa, a cada 12 horas nos primeiros 7 dias de vida e a cada 8 horas após 7 dias de vida, por 10 dias.

Como a sífilis materna não tratada afeta o recém-nascido?

A sífilis materna não tratada ou inadequadamente tratada durante a gestação pode levar à sífilis congênita no feto, com risco de aborto, natimorto, prematuridade e diversas manifestações clínicas ao nascimento ou tardiamente, incluindo neurossífilis.

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