Neurossífilis: Diagnóstico e Tratamento Urgente

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023

Enunciado

Homem, de 43 anos, procurou UBS por lesões papulosas descamativas em tronco e extremidades com acometimento palmo-plantar, de início há 5 dias. Investigação revelou VDRL reagente 1:16. Foi realizado o tratamento com penicilina benzatina intramuscular. Porém, paciente procurou novamente UBS, após 48 horas por cefaleia occipital, irritabilidade e agressividade. Diante do quadro clínico, a conduta terapêutica mais adequada, dentre as opções abaixo é:

Alternativas

  1. A) Associar benzodiazepínico devido a reação à penicilina e manter antibiótico atual.
  2. B) Executar punção lombar e trocar tratamento por penicilina cristalina intravenosa por possível neurossífilis.
  3. C) Realizar punção lombar e trocar antibiótico por ceftriaxona por suspeita de meningoencefalite meningocócica.
  4. D) Iniciar corticoide oral devido suspeita de reação do tipo Jarisch-Herxheimer e manter tratamento com penicilina benzatina intramuscular.

Pérola Clínica

Sífilis tratada + sintomas neurológicos (cefaleia, irritabilidade) → Suspeitar neurossífilis → Punção lombar + Penicilina cristalina IV.

Resumo-Chave

A presença de sintomas neurológicos após o tratamento de sífilis, mesmo que inicial, levanta forte suspeita de neurossífilis. A reação de Jarisch-Herxheimer é autolimitada e não causa sintomas neurológicos persistentes ou progressivos como os descritos, que indicam envolvimento do SNC.

Contexto Educacional

A sífilis é uma doença infecciosa sistêmica causada pela bactéria *Treponema pallidum*, com diversas manifestações clínicas. A neurossífilis, que é o envolvimento do sistema nervoso central pela bactéria, pode ocorrer em qualquer estágio da doença, mas é mais comum em pacientes com sífilis secundária ou terciária. A suspeita deve ser alta em pacientes com sífilis que desenvolvem sintomas neurológicos ou oftalmológicos. O caso clínico apresenta um paciente com sífilis secundária (lesões papulosas descamativas, acometimento palmo-plantar, VDRL reagente) que, após tratamento com penicilina benzatina, desenvolve cefaleia, irritabilidade e agressividade. Embora a reação de Jarisch-Herxheimer possa causar febre e exacerbação de lesões cutâneas, ela é autolimitada e raramente causa sintomas neurológicos persistentes ou progressivos. A presença de sintomas neurológicos novos ou agravados após o tratamento inicial de sífilis exige investigação imediata para neurossífilis. A conduta adequada envolve a realização de punção lombar para análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) e, se confirmada ou fortemente suspeita, a troca do tratamento para penicilina cristalina intravenosa, que atinge concentrações terapêuticas adequadas no LCR. O manejo rápido e correto da neurossífilis é crucial para prevenir sequelas neurológicas permanentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da neurossífilis?

A neurossífilis pode apresentar-se com cefaleia, alterações de personalidade (irritabilidade, agressividade), déficits neurológicos focais, convulsões, meningite asséptica e alterações visuais ou auditivas.

Qual o tratamento recomendado para neurossífilis?

O tratamento padrão é penicilina cristalina intravenosa, administrada por 10 a 14 dias, devido à sua melhor penetração no sistema nervoso central.

Como diferenciar a neurossífilis da reação de Jarisch-Herxheimer?

A reação de Jarisch-Herxheimer é uma reação febril aguda e autolimitada que ocorre nas primeiras 24 horas após a primeira dose de penicilina, sem causar sintomas neurológicos persistentes ou progressivos. A neurossífilis envolve o SNC e os sintomas persistem ou pioram.

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