FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente masculino, 27 anos, empresário, HIV positivo há 2 anos. Procura atendimento de urgência devido a episódio de convulsão há 2 horas. Informa ser o 3º episódio na semana. Refere que há 1 mês teve “quadro de intoxicação alimentar” – SIC (lesões eritemato papulosas, no tronco e palmas, não pruriginosas); questionado, menciona que teve “ferida” na glande há cerca de 45 dias. Relata que a ferida cicatrizou, com medidas antissépticas locais e a “intoxicação” involuiu com anti- histamínicos. Mediante tais dados, pode-se afirmar que:
HIV + convulsão + história de cancro/roséola = Neurossífilis até prova em contrário.
A história de lesão genital (cancro duro) e lesões cutâneas (roséola sifilítica) sugere sífilis primária e secundária, respectivamente. Em paciente HIV positivo, a sífilis pode ter curso atípico e progressão mais rápida para neurossífilis, que se manifesta com convulsões.
A neurossífilis é uma complicação grave da sífilis que ocorre quando o Treponema pallidum invade o sistema nervoso central. Em pacientes HIV positivos, a progressão da sífilis para neurossífilis pode ser mais rápida e as manifestações clínicas podem ser atípicas ou mais graves, devido à imunossupressão. A prevalência de sífilis e HIV é alta em populações de risco, tornando a coinfecção um desafio diagnóstico e terapêutico importante para residentes. O caso clínico apresenta uma sequência temporal clássica de sífilis: cancro duro (sífilis primária), lesões eritemato-papulosas no tronco e palmas (sífilis secundária, roséola sifilítica) e, posteriormente, convulsões, que são uma manifestação neurológica. A "intoxicação alimentar" e a "ferida" que "cicatrizou" são descrições leigas que se encaixam perfeitamente nas fases da sífilis. A presença de convulsões em um paciente HIV com essa história é altamente sugestiva de neurossífilis. O diagnóstico é confirmado pela análise do líquor, incluindo VDRL e FTA-Abs. O tratamento de escolha é a Penicilina G Cristalina intravenosa, que deve ser iniciada prontamente para prevenir danos neurológicos irreversíveis. É crucial que os residentes estejam atentos a essa condição, pois o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para o prognóstico do paciente, especialmente em indivíduos imunocomprometidos.
Em pacientes HIV, a neurossífilis pode se manifestar com convulsões, alterações de personalidade, déficits focais, cefaleia, meningite asséptica ou neuropatias cranianas. A história de cancro duro ou roséola sifilítica prévia é um forte indício.
O diagnóstico da neurossífilis é feito pela análise do líquor, com pesquisa de VDRL (Venereal Disease Research Laboratory) e FTA-Abs (Fluorescent Treponemal Antibody Absorption). Um VDRL reativo no líquor é diagnóstico, mas um FTA-Abs reativo no líquor com VDRL não reativo pode indicar neurossífilis em alguns casos.
O tratamento padrão para neurossífilis é a Penicilina G Cristalina intravenosa, administrada por 10 a 14 dias. Em pacientes alérgicos à penicilina, a dessensibilização é geralmente recomendada, pois a penicilina é o tratamento de escolha.
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