UEPA Revalida - Universidade do Estado do Pará — Prova 2023
RN de A.P.V, sexo feminino, 48 horas de vida, nasceu de parto normal, com 38 sem e 2 dias, pesando 2.490 g, medindo 46 cm, Apgar 9/9; Mãe G2 P1 A1, não realizou pré-natal, usuária de maconha. Ao exame físico: RN em regular estado geral, ativo e reativo, acianótico, ictérico zona III, eupneico, fígado palpável a 4 cm do RDC e baço a 2 cm da RCE, presença de rash vesicular em tronco, mãos e em membros inferiores, ausência de lesões de tocotraumatismos. Exames maternos: Testes Rápidos (HIV/ Hep B/ Hep C): não reagentes, sífilis: reagente/ VDRL sérico: 1/16/ TSang: A positivo/ Toxoplasmose, Rubéola, Citomegalovírus (CMV), herpes vírus simplex (HSV): IgG: positivos e IGM: negativos. Realizados exames no RN, demonstrados no quadro abaixo.Quanto ao acompanhamento ambulatorial indicado no texto acima em relação ao quadro de neurosífilis apresentado pela RN de A.P.V, assinale a alternativa correta.
Neurosífilis neonatal → Coleta de LCR a cada 6 meses até a normalização completa.
O seguimento da neurosífilis congênita exige reavaliação liquórica semestral; se houver alteração persistente após 6 meses, o retratamento deve ser considerado.
A sífilis congênita é uma infecção sistêmica grave causada pelo Treponema pallidum, transmitida verticalmente. O envolvimento do sistema nervoso central (neurosífilis) é frequente e pode ser assintomático ou manifestar-se com meningite, hidrocefalia ou atraso no desenvolvimento. O tratamento de escolha é a Penicilina G Cristalina por 10 dias, com doses ajustadas pela idade cronológica. O seguimento pós-tratamento é rigoroso: avaliação clínica e VDRL sérico (1, 3, 6, 12 e 18 meses). Especificamente para a neurosífilis, a análise do LCR deve ser repetida semestralmente. A normalização da celularidade costuma ser rápida, enquanto a queda dos títulos de VDRL no líquor pode ser mais lenta. A persistência de alterações liquóricas após 6 meses de vida é um sinal de alerta para falha terapêutica ou reinfecção, exigindo nova intervenção.
De acordo com os protocolos do Ministério da Saúde, crianças tratadas por neurosífilis congênita devem realizar o acompanhamento do líquido cefalorraquidiano (LCR) através de punção lombar a cada 6 meses, até que ocorra a completa normalização dos parâmetros (celularidade, proteína e VDRL).
O diagnóstico é estabelecido por qualquer alteração no LCR: VDRL reagente (em qualquer titulação), ou aumento da celularidade (> 25 leucócitos/mm³) ou da proteinorraquia (> 150 mg/dL no RN a termo), na ausência de outras causas que justifiquem essas alterações.
O retratamento com Penicilina G Cristalina deve ser considerado se o LCR permanecer alterado após 6 meses de acompanhamento ou se o VDRL liquórico não negativar após o tratamento inicial adequado. É fundamental garantir que a dose e o tempo de tratamento (10 dias) foram seguidos corretamente.
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