Trabalho de Parto Prematuro: Neuroproteção Fetal

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2023

Enunciado

Gestante, 25 anos, G2P1 (parto normal a termo), tabagista (10 cigarros por dia), gestação única com idade gestacional de 31 semanas e 4 dias por ecografia precoce, procura a emergência obstétrica por desconforto abdominal tipo cólica e aumento da frequência urinária. Relata secreção vaginal mucoide com traços de sangue. Ao exame físico, apresenta sinais vitais estáveis, AU 28 cm, DU 2/10'/40", BCF 146 bpm, exame especular com secreção mucoide, sem sangramento ativo: toque vaginal: colo fino, centrado, 4 cm, feto em apresentação cefálica. Em relação ao caso, afirma-se:I. Após a inibição do trabalho de parto prematuro, está indicado uso de progesterona e nifedipina até as 36 semanas de idade gestacional.II. O uso de sulfato de magnésio para neuroproteção do concepto está indicado, a fim de diminuir a incidência e a gravidade de danos cerebrais.III. O uso de corticoide antenatal para amadurecimento pulmonar está indicado, sendo associado à redução da incidência de membrana hialina, embora não tenha impacto na incidência de hemorragia intracraniana. Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)

Alternativas

  1. A) I.
  2. B) II.
  3. C) I e III.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

TPP < 32 semanas → Sulfato de magnésio para neuroproteção fetal.

Resumo-Chave

O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal em gestações com risco de parto prematuro entre 24 e 31 semanas e 6 dias, visando reduzir a incidência e gravidade da paralisia cerebral. A progesterona é para prevenção de TPP recorrente, não após inibição, e a nifedipina é um tocolítico. Corticoides reduzem hemorragia intracraniana.

Contexto Educacional

O trabalho de parto prematuro (TPP), definido como o parto antes de 37 semanas de gestação, é a principal causa de morbimortalidade neonatal. Sua etiologia é multifatorial, e o manejo visa prolongar a gestação e otimizar as condições do recém-nascido. A identificação precoce e a intervenção adequada são cruciais para melhorar os desfechos perinatais. A conduta no TPP envolve a tocólise para inibir as contrações, a corticoterapia antenatal para amadurecimento pulmonar fetal e a neuroproteção fetal. O sulfato de magnésio é o agente de escolha para neuroproteção em gestações com risco de parto prematuro antes de 32 semanas, demonstrando redução significativa na incidência e gravidade da paralisia cerebral. A corticoterapia antenatal, com betametasona ou dexametasona, é indicada entre 24 e 34 semanas e 6 dias para reduzir a síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante. A progesterona, por sua vez, é utilizada na prevenção do TPP recorrente em gestantes de alto risco, não no tratamento agudo.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para indicar sulfato de magnésio na neuroproteção fetal?

O sulfato de magnésio é indicado para neuroproteção fetal em gestações entre 24 e 31 semanas e 6 dias, quando há risco iminente de parto prematuro, como em casos de trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas ou pré-eclâmpsia grave.

Qual o papel do corticoide antenatal no trabalho de parto prematuro?

O corticoide antenatal (betametasona ou dexametasona) é fundamental para acelerar o amadurecimento pulmonar fetal e reduzir a incidência de síndrome do desconforto respiratório, hemorragia intraventricular e enterocolite necrosante em recém-nascidos prematuros.

Quando a progesterona é indicada na prevenção do trabalho de parto prematuro?

A progesterona é indicada para prevenção de TPP recorrente em pacientes com história prévia de parto prematuro ou com colo uterino curto, geralmente a partir do segundo trimestre da gestação, e não no tratamento agudo do TPP.

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